Cinemascope-Pôster-O-Grande-HeróiEu nunca me acostumei com a ideia de que Marky Mark – pra quem não sabe do que estou falando, vejam o vídeo no final do texto – viesse a ser um bom ator, porém depois de TED, do sempre ácido Seth Macfarlane, e de apresentações condizentes de seu salário, como em ‘Infiltrados’ e ‘Os Outros Caras’ (sim, eu gosto de ‘Os Outros Caras’!), Mark Whalberg tem se mostrado um crescente dominador dos filmes de ação que necessitam de alguém com um timing de comédia – assistam ‘Sem Dor, Sem Ganho’ e vão entender o que estou falando.

Mas esse não é o caso. ‘O Grande Herói’ conta as horas mais tensas da vida de Marcus Luttrell, o único sobrevivente dos Navy Seals em uma operação no Afeganistão conhecida como ‘Operation Red Wings’. Luttrell, em conjunto com outros três Seals estavam patrulhando uma região afegã em busca de um importante membro do talibã, Ahmad Shah, porém, ao encontrar com, aparentemente, civis das tribos da região, sofrem uma emboscada. Wahlberg está muito a vontade no papel, com a experiência adquirida ao longo da carreira, e uma segurança na personagem do herói, transita neste drama de guerra, regado a muita bala, sangue e terra.

Os Navy Seals são a melhor e mais especializada força tarefa americana, com treinamentos duríssimos, e responsável pelas mais importantes operações das forças armadas dos EUA (não à toa, foram responsáveis pela morte de Osama Bin Laden). Porém o filme não somente só enaltece os integrantes desta tropa de elite, mas mostra o companheirismo e a força em busca da sobrevivência, mesmo quando todas as probabilidades são contra você, destaque na entrega dos coadjuvantes de Wahlberg, Ben Foster, Emile Hirsch e Taylor Kitsch.

Baseado em fatos reais, a câmera sempre em movimento do diretor Peter Berg (responsável pelo péssimo ‘Battleship: A Batalha dos Mares’) vai dando o tom de tensão enquanto a tropa tenta entrar em contato com a base, em um ambiente inóspito e hostil, cercado de inimigos. Ao encontrar com civis, a trama sofre seu twist, em que um dilema instaurado acaba por dissolver a equipe ao longo dos três dias em que o filme se desenrola (na realidade, o embate durou cinco dias).

Não deixa de ser piegas esse americanismo exacerbado, porém, a diversão é garantida para quem gosta de ação!

Ela-pôster

“…Às vezes, é como se eu tivesse sentido tudo que irei sentir… E de agora em diante eu não vou sentir nada novo! Apenas, versões menores do que já senti.”

Na sociedade de hoje, praticamente, se você não existe online, você não existe offline. Acredito que nossa relação com as máquinas e inteligências artificiais ainda não chegou ao nível de suplantar nossa necessidade de contato físico, mas Spike Jonze nos faz indagar sobre essas questões quase que espirituais, da mudança e relação entre o plano físico e o virtual (quase como um plano espiritual).

A história de ‘Ela’ debate de maneira intrigante e é incisivo no questionamento do limiar entre as relações, até mesmo as sintéticas. Joaquin Phoenix interpreta Theodore Twombly, um escritor de uma espécie de correio elegante do futuro, com habilidades invejosas de identificar nuâncias nas relações entre as pessoas para quem escreve e, pelas pessoas que supostamente escreveriam as cartas. Encontramos a personagem em estado entorpecido após o término do casamento, com dificuldade no âmbito social, e ao mesmo tempo, o antagonismo com que escreve cartas com um sentimentalismo enorme e tocante. Ouvimos a frase lá em cima em mais um low point da vida de Theodore, como testemunhas da queda do herói após um encontro um tanto quanto estranho.

Jonze não critica apenas o distanciamento das pessoas através da tecnologia (porque embora estejamos conectados 24hs/dia, estamos cada vez mais distantes uns dos outros – se pergunte se conhece seu vizinho!); trás à tona e nos cutuca para saber qual o limite para ser feliz. Ele o faz plea relação de Theodore com Samantha, interpretada por Scarlett Johansson (somente a voz, em uma interpretação doce e maravilhosa), um sistema operacional revolucionário por ter uma inteligência artificial avançadíssima, capaz de sentir e nos fazer sentir com e por ela – acredite, você se apaixonará, como o faz a personagem de Joaquin.

Acompanhamos as reviravoltas da vida de Theodore que, com o toque gentil de Samantha, começa a voltar a ter cor, sentido e sentimento. Em uma produção de um futuro com um ar retrô, das roupas às escolhas de cores e mobiliário, Theodore vai se re-descobrindo ao lado de Samantha, saindo do torpor em que se encontrava, e iniciando uma jornada apaixonante, se jogando de cabeça no amor, não somente pelo OS, mas pelo mundo e pela vida, e começa a sentir coisas novas de novo, como se nossas almas fossem capazes de encontrar direção também no virtual.

Pirocast 001

 A nave louca do Pirocast aterriza no Farandola Crew pela primeira vez.
Com o comando de Mobrosa, e acompanhado por Pablo Soares e Razuchi você vai viajar pelos coloridos corredores desse ala psiquiátrica chamada vida.

Um beijo Leila Lopes!

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© 2013 Universal Pictures

   Uma caminhonete pára no estacionamento do aeroporto de Newark, um homem (Liam Neeson) pega uma garrafa de uísque, e guela abaixo vai o destilado; ele fura a fila e passa pela revista; discute com seu superior enquanto analisa, quase em estado de paranoia os possíveis passageiros do vôo com destino a Londres. Bill Marks, como podemos conhecer ao longo dos primeiros vinte minutos de filme, é um homem ‘errado’, e a interpretação de Liam Neeson sempre eficiente deixa claro o porquê dele ser o escolhido como novo ícone de ação de Hollywood. Depois do excelente ‘Busca Implacável’, emendou trabalho atrás de trabalho pelo caminho do bate e apanha (mesmo nos não tão bons ‘Desconhecido’ e ‘Esquadrão Classe A’).

   Em ‘Sem Escalas’ ele interpreta um agente federal americano, um US Air Marshal, responsável por manter a ordem e evitar ataques terroristas em voos americanos. Atualmente, cerca de 4000 US Federal Air Marshals circulam pelos aviões e aeroportos americanos. Todos os dias, fazem check-in, suas malas são verificadas, aguardam no portão de embarque, tudo como se fossem cidadãos comuns, com a diferença de que permanecem com suas armas em punho durante a viagem. Pode até parecer um número alto, porém, pós 11 de Setembro, novos postos foram criados a toque de caixa para evitar futuros ataques terroristas. E nesse ambiente tenso que a trama do filme se estende. Se você busca um filme de ação, só pela pancadaria, pode esquecer, você vai encontrar muito mais . O filme traz um roteiro de suspense muito bem elaborado, de forma que faz com que duvidemos de nossas suposições até o desenrolar da trama. Quando corpos começam a surgir a cada vinte minutos de filme, o mistério é instaurado e nossas percepções ficam tão deturpadas quanto as do agente Marks. Extremamente bem conduzido pelo espanhol Jaume Collet-Serra, que aproveita desse clima de paranoia americano, ‘Sem Escalas’ te prende do começo ao fim, lembrando um romance de Agatha Christie. A aura de suspense é elevada através das atuações das coadjuvantes Julianne Moore (sempre impecável), como a misteriosa vizinha de poltrona, e a adorável Michelle Dockery, conhecida pela série britânica ‘Downton Abbey’. O filme ainda conta com a participação discreta de Lupita Nyong’o, ganhadora do oscar de atriz coadjuvante por ‘12 Anos de Escravidão’. Um filme com aura de B, porém com diversão de A (dessa vez, sem esquadrão!).

FarandolaCast _016

 

Nessa edição do Farandola Cast, Razuchi , Erick Animation e Mobrosa bebericam um drink de chorume ao som das piores trilhas sonoras do Youtube.

Videos citados:

Ednaldo Perreira – PRINCESINHA
http://youtu.be/hndV2cfANSw

Pegando o ônibus
http://youtu.be/zv9hVKtc-D8

Lucas Lucco – Mozão (Clipe Oficial)
http://youtu.be/CMot9oCm8rY

Farandola News:

Peixe terrorista cancela voo.
Mulher gravida a 4 anos dá a luz a uma pedra.
Essa gatinha tem 7 vidas!

Farandola responde:

Quantas vezes posso queimar o butico e continuar sendo hetero?

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