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São Paulo, 03 de Dezembro de 2014:

Desço do metrô Jabaquara com uma empolgação monstra que se esvairia em cinzas nos dias que se sucederiam, comigo Razuchi e Pablo Soares, rumávamos em direção á Imigrantes Exhibition & Convention Center. Razuchi, visivelmente transtornado, corria na frente para não perder a famigerada palestra que ditaria seu futuro como trabalhador voluntário do ano, e assim começava a Comic Con Experience para nós.

Ao chegar no local era impossível não notar os balões gigantescos dos personagens da Hora da Aventura na beira da Rodovia dos Imigrantes, aliás gigantesco é uma palavra que resume bem o evento, tudo foi assim, painéis, estandes, expectativas, enfim.

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Complexo do Adventure Time.

Demos a volta correndo no complexo para chegarmos a tempo, e quando chegamos demos de cara com uma fila e com a decepção de ter corrido tanto para nada.

Ao entrar no recinto cheio de cadeiras ocupadas pelos mais variados tipos de pessoas, mal conseguia se ver a palestrante Rachid, uma moça pequena de cabelos castanhos que tentava se fazer ouvida, competindo arduamente com a horda de nerdões exaltados que berravam a plenos pulmões a cada vez que uma referência nerd era citada e com o barulho das máquinas construindo o evento do próximo dia, barulho que só não era mais alto que os graus centígrados dentro do lugar. A palestra deu-se aos trancos e barrancos com uma mensagem final surpreendente: “estudem o site e as informações em casa”. Ordem obviamente ignorada pela maioria dos voluntários, eu incluso.

Fomos todos divididos em equipes que trabalhariam em áreas especificas do evento. Nós três ficamos na “xepa”, a equipe sem um trabalho específico que acabou trabalhando mais que os outros. Parabéns à xepa.

São Paulo, 04 de Dezembro de 2014. Primeiro dia do evento:

Pablo e eu chegamos cedo ao local do evento, fomos recebidos por mais um balão gigante, desta vez o robô de Big Hero 6, uma grata surpresa que me faz sentir mais no clima de uma Comic Con. Mesmo chegando cedo já havia um casal lá esperando a abertura das festividades,
fomos direto aos fundos por onde entravam os voluntários e não havia ninguém, as horas se passaram, mais voluntários iam chegando e nada de informações, conseguimos fazer amizade com um gurdurê especialista em casamentos que trabalhava como staff no lugar e nem ele sabia nos informar nada, nem sobre os voluntários e nem sobre o credenciamento de imprensa. A organização do primeiro dia estava realmente desorganizada, coisa que mudou nos outros dias, mais por vontade dos voluntários do que da própria staff

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Life is easy when you’re big in Japan.

Depois de muito tempo esperando e muitas carteiras de cigarro inteiras fumadas resolvemos ir para a frente do evento tentar pegar nossas credenciais. Lá encontramos Razuchi, que mesmo chegando tarde chegou cedo para fazer qualquer coisa.

Horas depois conseguimos pegar nossas camisas coladinhas de voluntários e as credenciais, então fomos para o evento em si. O lugar era enorme com estandes de grandes empresas até onde os olhos podiam ver, tudo realmente muito bonito, mas com pouca interatividade. Fora ver e tirar fotos a melhor parte estava nos auditórios que não conseguimos ver muito pois estávamos trabalhando.

Depois de ter me incomodado com staffs grosseiros e burros e voluntários preguiçosos, já havia visto tudo que tinha que ver quanto ao trabalho interno, resolvi procurar o Pablo que mofava na porta dos fundos onde celebridades maiores entravam direto e quadrinistas e expositores esperavam em filas enquanto seus produtos eram encharcados pela chuva que lavava São Paulo. Resolvemos desistir.

Falamos com Razuchi que seguia firme e forte no seu objetivo de ser o melhor voluntário de todos todos todos!

Já não tinha mais muita coisa para ver á essa hora. Tentamos entrar na sala de imprensa sem sucesso, afinal já haviam muitas web celebrites lá dentro e não teria espaço para nós e os seus egos. Perdemos boa parte das coletivas, mas ainda conseguimos ver o Sean Astin que estava em uma má vontade tremenda e mesmo assim conseguiu levantar o publico de duas mil pessoas que lotavam o Auditório Thunder.

Assim que o Razuchi saiu do trabalho demos mais uma volta pelo lugar e tentamos ver uma mesa sobre quadrinhos no Brasil, eu já velho e cansado acabei dormindo na primeira fila.

Peço desculpas a todos.

São Paulo, 05 de Dezembro de 2014. Segundo dia do evento:

Acordamos mais tarde e com mais ânimo. Descendo do metrô já se via uma fila imensa para pegar as vãs que levavam para o evento, tudo muito mais organizado que o primeiro dia, as vãs chegavam rápido fazendo com que mesmo com uma fila que dobrava a esquina a espera não fosse maior que 15 minutos. Com os crachás de imprensa passamos direto na fila e entramos no evento muito rápido.

Aliás, no segundo dia os crachás realmente fizeram diferença para quem queria cobrir o evento, entrávamos direto nos auditórios e mesmo tentando não nos barraram na sala de imprensa.

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O Joker, o palhaço, o bobo…

Pudemos desta vez ver a Comic Con com olhos de público, e sem saber dos problemas por trás a sensação foi realmente melhor, o que me faz entender a #foiépico tão postada nas redes sociais.
Conseguimos ir em muitas palestras e até cobrir algumas coletivas de imprensa, apesar de não conseguirmos ver o Seu Barriga que estava cansado e desistiu da coletiva. Foi mesmo assim muito bom!

A segurança do local, mesmo não tendo muitos seguranças, foi boa, sem nenhum problema com furtos nem arruaças, testamos deixando um telefone carregando em um dos totens e ao voltar uma hora depois ele ainda estava lá, coisa rara de se ver hoje em dia.

Mesmo com muitos problemas a CCXP foi um grande evento e espero que fique maior e melhor com o tempo, erros vão ser corrigidos, processos vão ser abertos, ingressos vão ser super faturados, mas mesmo assim arrisco dizer que dentro de 5 anos teremos a Comic Con que nós queremos. Enquanto isso não acontece é bom saber que temos a Comic Con que nós merecemos.

Enfim, depois de três dias de viagens, brigas, risadas, aventuras e desventuras, posso dizer que a nossa Comic Con foi realmente uma experiência.

Segue lá
@Muscarito

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Muscario Xavier
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