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Dia 12 de setembro de 2015, São Paulo 7:40 da noite.

Chego no metro carrão, linha vermelha e espero pelos companheiros para a tal festa. Muitas pessoas com fantasias estranhas, e outras muitas apenas estranhas.
O horário para o encontro era as 20:00 hrs, às 20:05 chega Berreca, muitas das pessoas estranhas (e as com fantasias estranhas já sumiram dali) esperamos por mais algum minutos e Barbara chega com outras amigas, das quais não me lembro o nome (desculpe). Nos encaminhamos para os ônibus, que se encontram a alguns metros da saída do metro, entramos na fila quilométrica esperando que a organização fosse rápida no embarque – como sempre grande equivoco – ficamos ali por creio eu pelo menos 40 minutos, entrando no ônibus sentamos em nossos respectivos lugares a caminho da completa alucinação que estaria por vir. Depois de alguns minutos, e muitas pessoas entrando no busão, entra um organizador e nos pergunta, se queríamos beber (OBVIO!), nos trouxe copos, catuaba e vodka (vodka vagabunda, más naquele frio e impaciência não estava ligando muito para a qualidade do álcool que iria ingerir), demos aquela calibrada e partimos, muita ideia trocada naquele ônibus, e muitos kilometros depois, finalmente chegamos a nosso destino SKINS UNDER PARTY – FESTA ESPACIAL DE 5 ANOS DO EVENTO.11952857_10207723361952953_2208964250288620112_o

Ao chegar no recinto já avisto um grande descampado. Cheiro de grama cortada e vodka barata permeiam o ambiente em que nos encontrávamos, partimos em direção ao palco, alguns estranhos fritando loucamente, e logo atrás a chapelaria na qual guardamos as bolsas, de lá para onde se encontravam as bebidas, demos apenas alguns passos e uma nuvem de um cheiro muito peculiar da fauna brasileira nos envolve, Canabis Sativa era o cheiro que não iria mais se desgrudar da minha mucosa nasal naquelas 6 ou 8 horas que ainda restavam de festa.

Muitas bebidas depois encontro, os fatídicos “randon shots”: Jagermaister, tequila, e absinto (dos quais desfrutei até demais). Já alto de todo o descrito finalmente fomos em direção ao grande descampado, no qual fritamos por varias horas apenas parando para beber, muita fumaça minha e de amigos que passavam por ali. De repente avistamos um gigantesco balão de ar quente que iluminava momentos com a sua gigantesca chama dourada, DJ Omulu entra e eu já esperava as marretadas no cérebro, Projeto Rasteirinha (mixagem de funks nacionais com trap music) agitaram meu coração de tal forma que não sei explicar, parecia que aquele não era mais eu, dançava alucinado de olhos fechados, más mesmo de olhos fechados sabia que varias pessoas que ali passavam me observavam de uma forma estranha, talvez fosse apenas alucinação minha más aqueles trap/funks me tiravam do chão como se minha barriga estivesse cheia de borboletas. E assim correu por uma hora ou mais, muitas cores sabores e sensações permeavam o meu ser naquele momento, já tinha perdido a noção do tempo a essa altura, lá pelas 4:30 da manha todos já estávamos nos rendendo ao sono e meu pé doía demais, estava ate os joelhos de barro, más, com a alma lavada pela chuva que caiu fantasticamente durante todo o evento.

Partimos em direção ao busão para a nossa despedida daquele lugar mágico. As piadinhas vindas de um segurança que nos fez esperar para entrar no ônibus – que dizia que se bagunçássemos no ônibus nos arrancaria o sorriso do rosto – não me abalaram, eu só queria um lugar confortável para descansar, e foi o que fiz, nos deitamos nas poltronas – que pareciam inimagináveis vezes mais confortáveis do que realmente eram – foram naquele momento nossa cama, e assim cochilamos e partimos de volta para nossas realidades. Muito frio na volta e pouca roupa nos fez estar mais junto que o normal – uma questão fisiológica mesmo para evitar a hipotermia -. Pegamos no sono e, como num passe de mágica, me dei conta que estava em minha cama, comendo um triplo cheese burguer do Mc Donalds que havia guardado para aquele momento (parabéns foi muito esperto!).

E assim terminou o nosso rolê, espero que tenha feito vocês sentirem um pouquinho do que sentimos naquela ocasião, da qual não seria possível transmitir fielmente em palavras.

OBRIGADO.

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Bom, como vocês sabem na última sexta feira, dia 08/05/2015 aconteceu em São Paulo na Audio Club o evento Reggae Brasil, que contou com as bandas Armandinho e Chimarruts. Eu e a Camila Estávamos lá e vamos contar tudo o que ocorreu nesse show.

Chimarruts foi a primeira banda a se apresentar, entrou no palco 00:30 com o grande sucesso “Iemanjá” pra fazer todos dançarem e empolgando a galera que sabia que aquele show seria maravilhoso. Cheio de sucessos, músicas atuais e com vários covers passando de Bob Marley, Dawn Peen e Jorge Bem Jor. Tati que estava com a panturrilha machucada não deixou se abater um minuto se quer fazendo com que o pessoal não desanimasse também. Foi 1:30 de show a galera não parou de dançar um minuto e a energia estava simplesmente maravilhosa. Fecharam o show com o grande sucesso “Deixa chover” pra lavar a alma de todos ali presentes.

Armandinho entrou no palco as 02:30, não decepcionando o pessoal que esperava ouvir os seus grandes sucessos e músicas do seu último trabalho “Sol loiro”, show empolgante e animado onde o público sabia cantar todas a músicas e dava para perceber que o sentimento do pessoal estava bem a flor da pele em casa música cantada, em cada instrumental tocado. Rafa do Chimarruts e Zeider do Planta e raiz fizeram participações em duas músicas e se o show já estava bom, ficou melhor ainda. O show acabou por volta das 04:00 com a música “trilha do sol”.
Preciso dizer que se você gosta das duas bandas e não teve a oportunidade de ir no show, com certeza deve estar se arrependendo de não ter ido pois foi lindo e a energia positiva que estava no ar estava inexplicável.

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Imagens:AudioClub e Metropolitana FM

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Saímos de casa atrasados, para variar, e corremos ao ponto de ônibus.

Pergunto à Glória:

– Que horas são?
– Quatro e vinte, pra quem tinha marcado as três estamos só uma hora e vinte atrasados.
– A gente sempre se atrasa.
– Acontece.
– É… Eu tava pronto na hora.
– Então com “a gente” tu quis dizer eu?!
– Cadê esse ônibus? A gente vai chegar lá só no final.
– Vamo pega um táxi então.
– Não, agora vamo espera! Não vamo joga dinheiro fora!
– Tá…
– COMO É QUE NÃO TEM ÔNIBUS DOMINGO NESSA MERDA!
– Vamo pega a porra do táxi – ela acena para o táxi.
– Não praqu…
– Agora eu já chamei.

O táxi pára, entramos. O taxista, que usava roupa social, pergunta:

– Para onde?
– Pro anfiteatro Pôr do Sol, por favor – diz ela

Silêncio mortal.

Olho para a Glória no banco de trás.

– Desculpa por ser tão reclamão.
– Tudo bem. Desculpa me atrasar.
– Sério, eu sempre me atraso também e fico reclamando.
– Tudo bem, sério, agora a gente já ta indo.
– Te amo.
– Te amo.

Silêncio mortal.

– Vocês preferem ir pela perimetral ou por dentro? – o taxista formalmente pergunta.
– Melhor ir por dentro, até porque a faixa vai ta engarrafada né – respondo-o.
– Acredito que sim.
– Até por que hoje teve protesto dos coxinhas.
– Sim. E teve o coxinhaço também na cidade baixa – acrescenta Glória.
– Coxinhaço?
– Sim eles assaram umas galinhas lá na CB pra protestar contra os coxinhas.
– SÉRIO ISSO?!
– Sim.
– CARALHO! Aí sim hein? Esse é um protesto que vale a pena, pensa bem, tu pode ou ficar andando de um lado pro outro com um monte de tonto ou comer um churrasco de graça, eu não ia querer outro protesto.
– É mas não é de graça, o pessoal se juntou e cada um levou uma coisa.
– Mesmo assim.

Silêncio mortal.

– Que horas são? – pergunto.
– Quatro horas e meia – prontamente responde o taxista andróide extremamente polido.
– Tamo atrasado pra Ivetinha da Alegria e o Criolo Doido aliás, tu já penso numa coisa?
– O que? – pergunta a Glória.
– Esse show vai ser a junção dos coxinhas e dos petralhas em uma grande festa de confraternização.
– É verdade vai ter a Ivete e o Criolo.
– SIM! Ivetinha da Alegria denominada de vulcão, a cantora preferida de nove entre dez coxinhas, junto com o Criolo Doido que é o maluco preferido de nove entre dez petralhas,
cantando Tim Maia juntos. TIM MAIA, O SÍNDICO DO NOSSO BRASILSÃO!
– Imagina os petralhas e os coxinhas cantando juntos lado a lado.
– CARALHO! ESSE SHOW PODE MUDAR TUDO!

Silêncio mortal.

Pegamos a sinaleira mais demorada de Porto Alegre, e quando estava prestes a morrer de tédio dentro daquele Celta vermelho, Nelson do Cavaquinho aparece para me salvar, começo a cantarolar:

– O Sol há de brilhar mais uma vez, a luz há de voltar aos corações…

Começo a ouvir algumas batidas estranhas, quando olho pro taxista mais inadequado para a profissão de todos os tempos, tentando batucar com os dedos no volante.
Fico estarrecido em saber que aquele robô que guiava o veículo conseguia ter algum tipo de sentimento, principalmente pelo samba, continuei a música, a sinaleira abriu.

Silêncio mortal.

O carro estaciona.

– São dezessete reais – fala o taxista andróide tocador de pandeiro.

Descemos do táxi, vejo a procissão que se encaminha em direção ao show, vejo um céu de fim de tarde com nuvens cor de chá, um presente pra quem achou que choveria o dia todo, ouço a música começando ao longe, respiro fundo e penso:

“Esse dia pode mudar tudo”

Não mudou nada.

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São Paulo, 03 de Dezembro de 2014:

Desço do metrô Jabaquara com uma empolgação monstra que se esvairia em cinzas nos dias que se sucederiam, comigo Razuchi e Pablo Soares, rumávamos em direção á Imigrantes Exhibition & Convention Center. Razuchi, visivelmente transtornado, corria na frente para não perder a famigerada palestra que ditaria seu futuro como trabalhador voluntário do ano, e assim começava a Comic Con Experience para nós.

Ao chegar no local era impossível não notar os balões gigantescos dos personagens da Hora da Aventura na beira da Rodovia dos Imigrantes, aliás gigantesco é uma palavra que resume bem o evento, tudo foi assim, painéis, estandes, expectativas, enfim.

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Complexo do Adventure Time.

Demos a volta correndo no complexo para chegarmos a tempo, e quando chegamos demos de cara com uma fila e com a decepção de ter corrido tanto para nada.

Ao entrar no recinto cheio de cadeiras ocupadas pelos mais variados tipos de pessoas, mal conseguia se ver a palestrante Rachid, uma moça pequena de cabelos castanhos que tentava se fazer ouvida, competindo arduamente com a horda de nerdões exaltados que berravam a plenos pulmões a cada vez que uma referência nerd era citada e com o barulho das máquinas construindo o evento do próximo dia, barulho que só não era mais alto que os graus centígrados dentro do lugar. A palestra deu-se aos trancos e barrancos com uma mensagem final surpreendente: “estudem o site e as informações em casa”. Ordem obviamente ignorada pela maioria dos voluntários, eu incluso.

Fomos todos divididos em equipes que trabalhariam em áreas especificas do evento. Nós três ficamos na “xepa”, a equipe sem um trabalho específico que acabou trabalhando mais que os outros. Parabéns à xepa.

São Paulo, 04 de Dezembro de 2014. Primeiro dia do evento:

Pablo e eu chegamos cedo ao local do evento, fomos recebidos por mais um balão gigante, desta vez o robô de Big Hero 6, uma grata surpresa que me faz sentir mais no clima de uma Comic Con. Mesmo chegando cedo já havia um casal lá esperando a abertura das festividades,
fomos direto aos fundos por onde entravam os voluntários e não havia ninguém, as horas se passaram, mais voluntários iam chegando e nada de informações, conseguimos fazer amizade com um gurdurê especialista em casamentos que trabalhava como staff no lugar e nem ele sabia nos informar nada, nem sobre os voluntários e nem sobre o credenciamento de imprensa. A organização do primeiro dia estava realmente desorganizada, coisa que mudou nos outros dias, mais por vontade dos voluntários do que da própria staff

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Life is easy when you’re big in Japan.

Depois de muito tempo esperando e muitas carteiras de cigarro inteiras fumadas resolvemos ir para a frente do evento tentar pegar nossas credenciais. Lá encontramos Razuchi, que mesmo chegando tarde chegou cedo para fazer qualquer coisa.

Horas depois conseguimos pegar nossas camisas coladinhas de voluntários e as credenciais, então fomos para o evento em si. O lugar era enorme com estandes de grandes empresas até onde os olhos podiam ver, tudo realmente muito bonito, mas com pouca interatividade. Fora ver e tirar fotos a melhor parte estava nos auditórios que não conseguimos ver muito pois estávamos trabalhando.

Depois de ter me incomodado com staffs grosseiros e burros e voluntários preguiçosos, já havia visto tudo que tinha que ver quanto ao trabalho interno, resolvi procurar o Pablo que mofava na porta dos fundos onde celebridades maiores entravam direto e quadrinistas e expositores esperavam em filas enquanto seus produtos eram encharcados pela chuva que lavava São Paulo. Resolvemos desistir.

Falamos com Razuchi que seguia firme e forte no seu objetivo de ser o melhor voluntário de todos todos todos!

Já não tinha mais muita coisa para ver á essa hora. Tentamos entrar na sala de imprensa sem sucesso, afinal já haviam muitas web celebrites lá dentro e não teria espaço para nós e os seus egos. Perdemos boa parte das coletivas, mas ainda conseguimos ver o Sean Astin que estava em uma má vontade tremenda e mesmo assim conseguiu levantar o publico de duas mil pessoas que lotavam o Auditório Thunder.

Assim que o Razuchi saiu do trabalho demos mais uma volta pelo lugar e tentamos ver uma mesa sobre quadrinhos no Brasil, eu já velho e cansado acabei dormindo na primeira fila.

Peço desculpas a todos.

São Paulo, 05 de Dezembro de 2014. Segundo dia do evento:

Acordamos mais tarde e com mais ânimo. Descendo do metrô já se via uma fila imensa para pegar as vãs que levavam para o evento, tudo muito mais organizado que o primeiro dia, as vãs chegavam rápido fazendo com que mesmo com uma fila que dobrava a esquina a espera não fosse maior que 15 minutos. Com os crachás de imprensa passamos direto na fila e entramos no evento muito rápido.

Aliás, no segundo dia os crachás realmente fizeram diferença para quem queria cobrir o evento, entrávamos direto nos auditórios e mesmo tentando não nos barraram na sala de imprensa.

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O Joker, o palhaço, o bobo…

Pudemos desta vez ver a Comic Con com olhos de público, e sem saber dos problemas por trás a sensação foi realmente melhor, o que me faz entender a #foiépico tão postada nas redes sociais.
Conseguimos ir em muitas palestras e até cobrir algumas coletivas de imprensa, apesar de não conseguirmos ver o Seu Barriga que estava cansado e desistiu da coletiva. Foi mesmo assim muito bom!

A segurança do local, mesmo não tendo muitos seguranças, foi boa, sem nenhum problema com furtos nem arruaças, testamos deixando um telefone carregando em um dos totens e ao voltar uma hora depois ele ainda estava lá, coisa rara de se ver hoje em dia.

Mesmo com muitos problemas a CCXP foi um grande evento e espero que fique maior e melhor com o tempo, erros vão ser corrigidos, processos vão ser abertos, ingressos vão ser super faturados, mas mesmo assim arrisco dizer que dentro de 5 anos teremos a Comic Con que nós queremos. Enquanto isso não acontece é bom saber que temos a Comic Con que nós merecemos.

Enfim, depois de três dias de viagens, brigas, risadas, aventuras e desventuras, posso dizer que a nossa Comic Con foi realmente uma experiência.

Segue lá
@Muscarito

Mais sobre a CCXP:
Farandola Cast 025 Foi Épico?

The-Giver-Brenton-Thwaites-character-poster-691x1024Respire fundo. Esqueça tudo que sente. Se imagine em um mundo perfeito em que não existem diferenças, em que todos são iguais, em que sua família é escolhida para você, doenças foram dizimadas, assim como fome e desastres naturais. O mundo perfeito é onde encontramos Jonas, um jovem às vésperas de se encaixar em um setor profissional, baseado em suas aptidões físicas e mentais, assim como Tris, em Divergente. E, assim como Tris, Jonas não se encaixa em nenhuma profissão desta nova realidade pós-apocalíptica, ele na verdade transita entre todas as aptidões e, portanto, tem o perfil para receber o legado de lembranças da humanidade, que jazem dentro da mente do homônimo do título, o Doador de memórias (Jeff Bridges).

Já comentado aqui, os novos romances juvenis têm trazido consigo essa dimensão supostamente perfeita que deve ser quebrada – muito melhor do que a febre anterior de vampiros que brilham no escuro! Jonas, ao receber a autorização para mentir (até então algo proibido) e quando começa a ser concebido com as lembranças dadas pelo doador, começa a sentir. É interessante a interpretação do filme, de que um remédio dado em doses diárias nos tiraria também a possibilidade de sentir, de ver cor, de amar – faço um paralelo ao que acontece com nossas vidas em nosso cotidiano conturbado, em que nos deparamos com a conformidade da vida contemporânea de ir ao trabalho, voltar, comer, dormir, ver tv (sem perceber que estamos vivendo, e não sobrevivendo) – para se ter noção, 2013 foi o ano em que cerca de 42% da população não consumiu cultura fora de suas casas. Assim como Tris e Katniss, Jonas parte em sua jornada de rebeldia aos parâmetros da atual civilização (liderados pela sempre maravilhosa Meryl Streep). E assim como seu homônimo da Bíblia, parte em uma jornada (comissionada por seu mestre Doador – em um paralelo ao Deus bíblico) rumo a salvação de um povo que é violento, não em questões físicas, mas em limitar a liberdade de se viver sem emoção.

Um filme doce, que impõe sérias questões ao nosso sobreviver contemporâneo, esperando, assim como acontece depois de 15 minutos de película, dar mais cor ao nosso cotidiano. E quem não gostaria de ter Jeff Bridges como Deus, não é mesmo?

sq_million_dollar_armAviso aos amantes de ‘Jerry Maguire’, assistam a esse filme. Pode não ter a participação ácida e emocionante de Cuba Gooding Jr, nem os espasmos bizarros da cientologia ambulante que é Tom Cruise, mas tem muito do ambiente e do coração do filme que eternizou o amado ‘SHOW ME THE MONEY’. Embora não tenha astros jovens de peso, como Cruise ou Gooding Jr., ‘Million Dollar Arm’ trás consigo uma plotline meio parecida em seu começo: um agente que não está mais na empresa em que trabalhava, que é passado para trás por um atleta de contrato milionário, e que tem que se virar. Além disso, ambas personagens que fazem os agentes esportivos são esnobes e têm que passar por obstáculos para verdadeiramente perceberem o que o esporte trás embutido em si, valores mais importantes que dinheiro ou fama (embora eu e Razuchi discordemos desta parte – ‘dinheiro e gatinhas’ é nosso lema!).

Jon Hamm faz o papel do pedante JB, agente que um dia teve uma cartela enorme de clientes e que, há três anos, junto com seu grande amigo Aash, montou sua própria empresa. O encontramos tentando fechar negócio com um linebacker da NFL, mas o contrato não desenrola e eles se veem rumo a falência e vão tomar um porre pra esquecer. Como Aash é indiano, em meio a sua bebedeira, sintoniza a TV no jogo de críquete, que JB (como seria de praxe da personagem) já começa a implicar com. Aash vai embora rumo a esposa e filhos em um taxi, e JB fica a contar botões, até que Susan Boyle (SIM! SUSAN BOYLE!) aparece pela primeira vez no ‘Britain’s Got Talent’, estamos em 2008, por sinal.

Como acontece em muitos casos, o insight vem de coisas desconexas que, por alguma razão, começam a fazer parte da mesma simbiose, e JB tem uma ideia de gênio: desenvolve um concurso em que dois jovens indianos têm a chance de fazer um tryout (aqui é chamado de ‘peneirão’) para uma vaga na Major League Baseball e, se ganhar, ganham 1 milhão de dólares, daí o título não somente do filme, como também do concurso. Uma jogada de gênio, em que a MLB poderia entrar em um mercado de um bilhão de possíveis espectadores, e tiraria JB e Aash da falência.

Isto tudo parece mentira, coisa viajante de roteirista, mas devo dizer que o filme é baseado em fatos reais. Este concurso existiu de verdade e dois meninos indianos vieram para este lado do globo tentar a sorte como possíveis jogadores de baseball. Joguem ainda nessa tigela participações de Alan Arkin (sempre excelente) como o único e sempre dormindo olheiro disposto a ir a Índia, uma jornada por um país de extremos (uma hora está tudo cheirando maravilhosamente bem, outra hora está tudo fedendo) até bem parecido com o Brasil (vide a maneira de burlar o sistema…), e a, por falta de outra palavra, maravilhosa Lake Bell como a vizinha médica, além da trupe de indianos, em especial Amit, que sonha em ser técnico de baseball na Índia. Todos funcionam como agentes catalisadores das mudanças de JB para uma pessoa melhor, mesmo que esse melhor não seja com dinheiro e gatinhas…

Chef-PosterModéstia a parte, acredito que este texto tenha virado mais um clamor a paixão do que verdadeiramente apenas mais uma resenha em meu querido espaço neste tão amado site. Para os seis leitores meus que ainda não sabem, heis que este que vos escreve é formado em Gastronomia, antes mesmo de se enveredar para o Design ou a começar a se expressar através de palavras graças ao meu grande amigo Razuchi. Pois bem, escrevo que este será quase um manifesto para quem me lê, pois o filme da semana me fez refletir, e muito, em meu papel neste mundo e se o que estou buscando tem a mesma paixão dos tempos ingênuos de faculdade. Entrei para o curso de gastronomia aos 17 anos, assim como grande parte dos calouros de universidade, minhas responsabilidades eram mais focadas em fazer o copo chegar aos lábios que exatamente entender o que a lecitina faz para que tudo se junte na maionese (isso não aprendi na faculdade, por sinal!). Pode-se pensar que esses, que eram para ser dois, três anos da minha vida não valeram de grande coisa, mas estariam enganados. Assim como grande parte da minha turma do Senac (ambas, por sinal), me voltei para outro rumo, pois a minha paixão com a cozinha foi amor de verão, fugaz, intensa, maravilhosa, breve e tenebrosa!

Minha relação com a comida sempre foi de alento, conforto, aconchego. Era no bolo da minha avó que o machucado do tombo de bicicleta parava de doer; era no McDonald’s de domingo que a família se entendia; e é no carbonara com direito a ovo quebrado no final que afogo minhas mágoas hoje (sejam de amor ou da vida). Ao passo de que o desenho foi sempre meu companheiro, a comida era minha avó, e nada mais encantador do que sua avó, não importa você quem for… Digo isso porque gastronomia, aos 17 anos, me parecia a escolha mais emocional, até que se entra no mercado de trabalho e tudo que era emocionante se desaba: comandas chegando a cada segundo, dedos queimados e cortados, finais de semana mudam de significado, fazendo jornada dupla com um salário de merda (sem contar aquele cara gritando no seu cangote a todo instante querendo comer seu c.. porque os outros pratos da mesa já estão na boqueta e você está nadando fritando a porra da guarnição…). Cozinha não é para qualquer um! Nem um pouco! Porém, ela não deixa de ter todo o lado romântico intrínseco e inerte ao ser humano –  nós evoluímos graças a comida, e quem vive da cozinha e ama a cozinha, não a deixa jamais.

Por isso é tão fácil para mim, se identificar a Jov Favreau. Um ator medíocre, com um timing de comédia bom, tem seu talento, mas nunca deixou de ser, como já dito, medíocre (e para os que acham que medíocre é ser ruim, não é, é ser mediano, ok?). Foi então que, assim como Ben Affleck, descobriu que era muito melhor como diretor do que como ator. Fez filmes muito divertidos, ‘Crime Desorganizado’ e ‘Zathura – Uma Aventura Espacial’, além do excelente ‘Um Duende em Nova York’, mas foi em ‘Homem de Ferro’ que se destacou e trouxe a tona um Robert Downey Jr. impecável, além de unir o melhor de Terrence Howard e Gwyneth Paltrow. Só que veio o merdinha ‘Homem de Ferro 2′, depois ‘Cowboys & Aliens’ e o rendimento caiu…

Favreau passou dois anos em um recesso. Foi repensar tudo que havia feito e os caminhos que estava trilhando e foi buscar o que nós buscamos, paixão no que fazemos. ***(E nesse ponto faço um parêntesis para explicar todo o texto acima contando sobre mim, pois me identifico muito com Jon Favreau. Era um cozinheiro medíocre e não estava feliz, foi então que decidi fazer uma mudança drástica, ir atrás de algo que significasse mais pra mim, fui em busca do ‘grande talvez’ de Rabelais, e espero estar começando uma jornada de êxito)*** Jon pesquisou muito e se doou muito (a ver a habilidade adquirida com a faca). Se aliou a Roy Choi, formado pelo Culinary Institute of America e dono de uma rede gigantesca de trailers de taco com recheio de churrasco coreano, e fez um filme fantástico. Mas quero que fique claro que a comida e a cozinha são apenas pano de fundo para as relações emocionantes do Chef Carl Casper (Favreau) com seu filho, ex-mulher (Sofia Vergara), seu melhor amigo e cozinheiro (John Leguizamo) e com seu trabalho (atenção para a única cena entre Favreau e Downey Jr.!). Assim como Favreau, Carl Casper passa por uma reformulação na vida, a de buscar algo que realmente valha a pena, e acompanhar sua jornada é delicioso.

Um filme doce, engraçado, e que me fez não só lembrar de momentos de indecisão e opção por seguir um sonho, mas também de repensar se o caminho que penso em trilhar é mesmo o que me levará ao ‘grande talvez’. E que, mesmo sendo um ator medíocre e um diretor bom, é sempre melhor ter amigos como Downey Jr., Scarlett Johansson e Dustin Hoffman, ou mesmo, Rafael Zuchi…

Anjos-da-Lei-2-poster-29Jan2014Confesso que fui assistir ao primeiro ‘Anjos da Lei’ no cinema sem grandes pretensões. Já gostava de Channing Tatum por seus trabalhos em ‘Stop-Loss – A Lei da Guerra’ (pouco visto, mas um drama bem legal) e ‘Veia de Lutador’, além de ter um impressionante timing pra comédia, comprovado enquanto assistia sentado na sala escura do Cinemark contracenar com Jonah Hill. Jonah por sua vez nunca tinha me cativado – sempre achei o ‘Superbad: É Hoje’ muito superestimado. Até que vi ‘Moneyball – O Homem Que Mudou O Jogo’, e meus ‘preconceitos’ para com o Sr. Hill caíram por terra – ator excelente, a altura de Brad Pitt e impecável em seus momentos de silêncio. Hill ainda me surpreenderia com seu Donnie Azoff em ‘Lobo de Wall Street’, pelo qual acredito que merecia mais o Oscar que Jared Leto, mas tudo bem, não estou aqui para falar do melhor ator coadjuvante, mas sim para falar Sobre o ‘Anjos da Lei 2′.

Como disse, fui sem pretensão assistir ao primeiro ‘Anjos da Lei’. Acontece que Jonah é um grande fã da série de TV que deu origem ao filme (série que apresentou Johnny Depp ao mundo – ele até faz uma participação!), e, como todo fã, executou um trabalho primoroso (a exemplo de caras como Sam Raimi e ‘Homem-Aranha’ e Zack Snyder em ‘300’). O filme é mais que apenas uma comédia, apresenta um excelente exemplo de ‘bromance’ entre os agentes Jenko (Tatum) e Schimidt (Hill). Com uma química impressionante na tela, Hill e Tatum me fizeram chorar de rir (em especial nas cenas em que estão drogados!).

É de se esperar que após uma grandiosa apresentação como em ‘Anjos da Lei’ que os escritores e atores tentem se superar na sequência. Porém, de longe, fica a desejar. Com um roteiro mais manjado, sem grandes twists ou novidades, é mais uma apresentação da amizade dos dois, e quem sai perdendo somos nós. Não vou dizer que não tem momentos bons – tem momentos excelentes, como quando Schimidt fala que a sala do capitão parece um grande cubo de gelo (Ice Cube faz o capitão, se é que você me entende?!) ou quando o capitão descobre que a filha está saindo com a personagem de Jonah Hill.

No geral, é um filme leve, divertido e que me agradou, sim! Porém, se colocar na balança outros momentos dos atores (juntos ou separados), há um sentimento de desapontamento em ‘Anjos da Lei 2′. Aconselho assistir, sim, mas já vai avisado – não venham reclamar depois!

pompeii_xlgAo ver o trailer de ‘Pompeia’, ainda ano passado (2013), achei que o filme poderia ser algo legal, uma mistura de ‘Gladiador’ com ‘Impacto Profundo’ ou ‘Armageddon’. Não poderia estar mais enganado. Costumo achar um absurdo darem um orçamento gigantesco para filmes nacionais do porte de ‘Até Que A Sorte Nos Separe’ (1 e 2!), mas entendo sua existência, como já dissertei sobre neste artigo aqui. Porém, quando um americano decide gastar milhões em atores de renome, como Kiefer Sutherland (’24 Horas’), Carrie-Anne Moss (‘Matrix’) e Jared Harris (‘Sherlock Holmes – O Jogo das Sombras’), novatos em alta – Kit Harington (o Jon Snow de ‘Game of Thrones’) e Emily Browning (‘Sucker Punch’) – e quinhentos mil efeitos especiais e coliseus falsos, vejo que o cinema ainda tem espaço para erros do porte do Império Romano.

Para quem não conhece, Pompeia era um marco de comércio para Roma, por estar em um localização privilegiada na costa, próxima a capital e no meio do caminho entre o norte e o sul da imensidão imperial. Em 2006, tive a oportunidade de estar no que restou da cidade após sua devastação pelo vulcão (ficou mais conhecida por isso do que por sua importância para o império), e pude ver quão evoluída a cidade era, sendo um dos maiores marcos da época, obliterada do tempo e espaço pela força da natureza.

Pois bem, falemos do filme. ‘Pompeia’ conta a história de um menino bretão, tratado como selvagem, que perde sua família quando criança e é escravizado e transformado em gladiador para o bel prazer da política de pão e circo romana. Em uma interpretação fraca do Sr. Harington (excelente em ‘Game of Thrones’) – que consiste mais em ficar sem camisa do que qualquer outra coisa -, vemos Milo se rebelando contra as correntes que o aprisionam dentro e fora da arena em busca do amor da supostamente não domável Cassia (Emily Browning). Há ainda tentativas de colocar empecilhos políticos e criar um clima de vingança entre o herói de os falastrões de Roma. Tudo parece jogado, e com isso, tudo dá errado.

Ao contrário de épicos como ‘Ben-Hur’ ou o já citado ‘Gladiador’, ‘Pompeia’ trás uma inconsistência tanto em roteiro, quanto direção (que parece não saber o que fazer com os atores – que por sua vez aplicam crises de over-acting em quase todos os frames da película). Sem conteúdo nem profundidade, é um filme para se passar em fast-forward, sem perder muito conteúdo. O que poderia ser uma história incrível dos tão divertidos filmes de desastre acaba por ser uma história de amor fraca, superficial e mal acabada. Minha dica é, não perca seu tempo. Ainda me arrependo de ter perdido o meu.

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Um carinha muito maneiro, William Shakespeare, certa vez disse: “Ria e o mundo rirá com você. Chore e você chorará sozinho” ; depois de quase 400 anos, Mano Brown mandou uma replica, mais simplória, mas faz a gente pensar: “Sozinho eu sou agora o meu inimigo intimo, Lembranças más vem, pensamentos bons vai, Me ajude,sozinho penso merda pra caralho.”.  É nessa vibe o novo som do Farandola Crew, que é conhecido pelo escracho e pela comédia, mas hoje não! Hoje é dia de desabafo bebezinho.

Quem nunca perdeu sono pensando na vida? As vezes, nessas madrugas em claro, o pessimismo é inevitável , algumas vezes nos levando à revolta . O que vale a pena na vida? Quem está ganhandoo jogo, o bem ou o mal? O que o futuro reserva para mim? Confesso que tive muitas noites em claro, muito mais do que eu gostaria e com cada vez mais frequência. Tenho medo que um dia numa dessas ai eu acorde sem vontade de ser o Razuchi zuero, dando lugar um desacreditado. Chamei o Mobrosa , Muscario Xavier e Felipe Avelar e cada um somou um pouco para fazer essa musica, sem comédia desta vez, e me desculpe, poís até Jesus chorou, né não Brown?