The-Giver-Brenton-Thwaites-character-poster-691x1024Respire fundo. Esqueça tudo que sente. Se imagine em um mundo perfeito em que não existem diferenças, em que todos são iguais, em que sua família é escolhida para você, doenças foram dizimadas, assim como fome e desastres naturais. O mundo perfeito é onde encontramos Jonas, um jovem às vésperas de se encaixar em um setor profissional, baseado em suas aptidões físicas e mentais, assim como Tris, em Divergente. E, assim como Tris, Jonas não se encaixa em nenhuma profissão desta nova realidade pós-apocalíptica, ele na verdade transita entre todas as aptidões e, portanto, tem o perfil para receber o legado de lembranças da humanidade, que jazem dentro da mente do homônimo do título, o Doador de memórias (Jeff Bridges).

Já comentado aqui, os novos romances juvenis têm trazido consigo essa dimensão supostamente perfeita que deve ser quebrada – muito melhor do que a febre anterior de vampiros que brilham no escuro! Jonas, ao receber a autorização para mentir (até então algo proibido) e quando começa a ser concebido com as lembranças dadas pelo doador, começa a sentir. É interessante a interpretação do filme, de que um remédio dado em doses diárias nos tiraria também a possibilidade de sentir, de ver cor, de amar – faço um paralelo ao que acontece com nossas vidas em nosso cotidiano conturbado, em que nos deparamos com a conformidade da vida contemporânea de ir ao trabalho, voltar, comer, dormir, ver tv (sem perceber que estamos vivendo, e não sobrevivendo) – para se ter noção, 2013 foi o ano em que cerca de 42% da população não consumiu cultura fora de suas casas. Assim como Tris e Katniss, Jonas parte em sua jornada de rebeldia aos parâmetros da atual civilização (liderados pela sempre maravilhosa Meryl Streep). E assim como seu homônimo da Bíblia, parte em uma jornada (comissionada por seu mestre Doador – em um paralelo ao Deus bíblico) rumo a salvação de um povo que é violento, não em questões físicas, mas em limitar a liberdade de se viver sem emoção.

Um filme doce, que impõe sérias questões ao nosso sobreviver contemporâneo, esperando, assim como acontece depois de 15 minutos de película, dar mais cor ao nosso cotidiano. E quem não gostaria de ter Jeff Bridges como Deus, não é mesmo?

sq_million_dollar_armAviso aos amantes de ‘Jerry Maguire’, assistam a esse filme. Pode não ter a participação ácida e emocionante de Cuba Gooding Jr, nem os espasmos bizarros da cientologia ambulante que é Tom Cruise, mas tem muito do ambiente e do coração do filme que eternizou o amado ‘SHOW ME THE MONEY’. Embora não tenha astros jovens de peso, como Cruise ou Gooding Jr., ‘Million Dollar Arm’ trás consigo uma plotline meio parecida em seu começo: um agente que não está mais na empresa em que trabalhava, que é passado para trás por um atleta de contrato milionário, e que tem que se virar. Além disso, ambas personagens que fazem os agentes esportivos são esnobes e têm que passar por obstáculos para verdadeiramente perceberem o que o esporte trás embutido em si, valores mais importantes que dinheiro ou fama (embora eu e Razuchi discordemos desta parte – ‘dinheiro e gatinhas’ é nosso lema!).

Jon Hamm faz o papel do pedante JB, agente que um dia teve uma cartela enorme de clientes e que, há três anos, junto com seu grande amigo Aash, montou sua própria empresa. O encontramos tentando fechar negócio com um linebacker da NFL, mas o contrato não desenrola e eles se veem rumo a falência e vão tomar um porre pra esquecer. Como Aash é indiano, em meio a sua bebedeira, sintoniza a TV no jogo de críquete, que JB (como seria de praxe da personagem) já começa a implicar com. Aash vai embora rumo a esposa e filhos em um taxi, e JB fica a contar botões, até que Susan Boyle (SIM! SUSAN BOYLE!) aparece pela primeira vez no ‘Britain’s Got Talent’, estamos em 2008, por sinal.

Como acontece em muitos casos, o insight vem de coisas desconexas que, por alguma razão, começam a fazer parte da mesma simbiose, e JB tem uma ideia de gênio: desenvolve um concurso em que dois jovens indianos têm a chance de fazer um tryout (aqui é chamado de ‘peneirão’) para uma vaga na Major League Baseball e, se ganhar, ganham 1 milhão de dólares, daí o título não somente do filme, como também do concurso. Uma jogada de gênio, em que a MLB poderia entrar em um mercado de um bilhão de possíveis espectadores, e tiraria JB e Aash da falência.

Isto tudo parece mentira, coisa viajante de roteirista, mas devo dizer que o filme é baseado em fatos reais. Este concurso existiu de verdade e dois meninos indianos vieram para este lado do globo tentar a sorte como possíveis jogadores de baseball. Joguem ainda nessa tigela participações de Alan Arkin (sempre excelente) como o único e sempre dormindo olheiro disposto a ir a Índia, uma jornada por um país de extremos (uma hora está tudo cheirando maravilhosamente bem, outra hora está tudo fedendo) até bem parecido com o Brasil (vide a maneira de burlar o sistema…), e a, por falta de outra palavra, maravilhosa Lake Bell como a vizinha médica, além da trupe de indianos, em especial Amit, que sonha em ser técnico de baseball na Índia. Todos funcionam como agentes catalisadores das mudanças de JB para uma pessoa melhor, mesmo que esse melhor não seja com dinheiro e gatinhas…

Chef-PosterModéstia a parte, acredito que este texto tenha virado mais um clamor a paixão do que verdadeiramente apenas mais uma resenha em meu querido espaço neste tão amado site. Para os seis leitores meus que ainda não sabem, heis que este que vos escreve é formado em Gastronomia, antes mesmo de se enveredar para o Design ou a começar a se expressar através de palavras graças ao meu grande amigo Razuchi. Pois bem, escrevo que este será quase um manifesto para quem me lê, pois o filme da semana me fez refletir, e muito, em meu papel neste mundo e se o que estou buscando tem a mesma paixão dos tempos ingênuos de faculdade. Entrei para o curso de gastronomia aos 17 anos, assim como grande parte dos calouros de universidade, minhas responsabilidades eram mais focadas em fazer o copo chegar aos lábios que exatamente entender o que a lecitina faz para que tudo se junte na maionese (isso não aprendi na faculdade, por sinal!). Pode-se pensar que esses, que eram para ser dois, três anos da minha vida não valeram de grande coisa, mas estariam enganados. Assim como grande parte da minha turma do Senac (ambas, por sinal), me voltei para outro rumo, pois a minha paixão com a cozinha foi amor de verão, fugaz, intensa, maravilhosa, breve e tenebrosa!

Minha relação com a comida sempre foi de alento, conforto, aconchego. Era no bolo da minha avó que o machucado do tombo de bicicleta parava de doer; era no McDonald’s de domingo que a família se entendia; e é no carbonara com direito a ovo quebrado no final que afogo minhas mágoas hoje (sejam de amor ou da vida). Ao passo de que o desenho foi sempre meu companheiro, a comida era minha avó, e nada mais encantador do que sua avó, não importa você quem for… Digo isso porque gastronomia, aos 17 anos, me parecia a escolha mais emocional, até que se entra no mercado de trabalho e tudo que era emocionante se desaba: comandas chegando a cada segundo, dedos queimados e cortados, finais de semana mudam de significado, fazendo jornada dupla com um salário de merda (sem contar aquele cara gritando no seu cangote a todo instante querendo comer seu c.. porque os outros pratos da mesa já estão na boqueta e você está nadando fritando a porra da guarnição…). Cozinha não é para qualquer um! Nem um pouco! Porém, ela não deixa de ter todo o lado romântico intrínseco e inerte ao ser humano –  nós evoluímos graças a comida, e quem vive da cozinha e ama a cozinha, não a deixa jamais.

Por isso é tão fácil para mim, se identificar a Jov Favreau. Um ator medíocre, com um timing de comédia bom, tem seu talento, mas nunca deixou de ser, como já dito, medíocre (e para os que acham que medíocre é ser ruim, não é, é ser mediano, ok?). Foi então que, assim como Ben Affleck, descobriu que era muito melhor como diretor do que como ator. Fez filmes muito divertidos, ‘Crime Desorganizado’ e ‘Zathura – Uma Aventura Espacial’, além do excelente ‘Um Duende em Nova York’, mas foi em ‘Homem de Ferro’ que se destacou e trouxe a tona um Robert Downey Jr. impecável, além de unir o melhor de Terrence Howard e Gwyneth Paltrow. Só que veio o merdinha ‘Homem de Ferro 2′, depois ‘Cowboys & Aliens’ e o rendimento caiu…

Favreau passou dois anos em um recesso. Foi repensar tudo que havia feito e os caminhos que estava trilhando e foi buscar o que nós buscamos, paixão no que fazemos. ***(E nesse ponto faço um parêntesis para explicar todo o texto acima contando sobre mim, pois me identifico muito com Jon Favreau. Era um cozinheiro medíocre e não estava feliz, foi então que decidi fazer uma mudança drástica, ir atrás de algo que significasse mais pra mim, fui em busca do ‘grande talvez’ de Rabelais, e espero estar começando uma jornada de êxito)*** Jon pesquisou muito e se doou muito (a ver a habilidade adquirida com a faca). Se aliou a Roy Choi, formado pelo Culinary Institute of America e dono de uma rede gigantesca de trailers de taco com recheio de churrasco coreano, e fez um filme fantástico. Mas quero que fique claro que a comida e a cozinha são apenas pano de fundo para as relações emocionantes do Chef Carl Casper (Favreau) com seu filho, ex-mulher (Sofia Vergara), seu melhor amigo e cozinheiro (John Leguizamo) e com seu trabalho (atenção para a única cena entre Favreau e Downey Jr.!). Assim como Favreau, Carl Casper passa por uma reformulação na vida, a de buscar algo que realmente valha a pena, e acompanhar sua jornada é delicioso.

Um filme doce, engraçado, e que me fez não só lembrar de momentos de indecisão e opção por seguir um sonho, mas também de repensar se o caminho que penso em trilhar é mesmo o que me levará ao ‘grande talvez’. E que, mesmo sendo um ator medíocre e um diretor bom, é sempre melhor ter amigos como Downey Jr., Scarlett Johansson e Dustin Hoffman, ou mesmo, Rafael Zuchi…

Anjos-da-Lei-2-poster-29Jan2014Confesso que fui assistir ao primeiro ‘Anjos da Lei’ no cinema sem grandes pretensões. Já gostava de Channing Tatum por seus trabalhos em ‘Stop-Loss – A Lei da Guerra’ (pouco visto, mas um drama bem legal) e ‘Veia de Lutador’, além de ter um impressionante timing pra comédia, comprovado enquanto assistia sentado na sala escura do Cinemark contracenar com Jonah Hill. Jonah por sua vez nunca tinha me cativado – sempre achei o ‘Superbad: É Hoje’ muito superestimado. Até que vi ‘Moneyball – O Homem Que Mudou O Jogo’, e meus ‘preconceitos’ para com o Sr. Hill caíram por terra – ator excelente, a altura de Brad Pitt e impecável em seus momentos de silêncio. Hill ainda me surpreenderia com seu Donnie Azoff em ‘Lobo de Wall Street’, pelo qual acredito que merecia mais o Oscar que Jared Leto, mas tudo bem, não estou aqui para falar do melhor ator coadjuvante, mas sim para falar Sobre o ‘Anjos da Lei 2′.

Como disse, fui sem pretensão assistir ao primeiro ‘Anjos da Lei’. Acontece que Jonah é um grande fã da série de TV que deu origem ao filme (série que apresentou Johnny Depp ao mundo – ele até faz uma participação!), e, como todo fã, executou um trabalho primoroso (a exemplo de caras como Sam Raimi e ‘Homem-Aranha’ e Zack Snyder em ‘300’). O filme é mais que apenas uma comédia, apresenta um excelente exemplo de ‘bromance’ entre os agentes Jenko (Tatum) e Schimidt (Hill). Com uma química impressionante na tela, Hill e Tatum me fizeram chorar de rir (em especial nas cenas em que estão drogados!).

É de se esperar que após uma grandiosa apresentação como em ‘Anjos da Lei’ que os escritores e atores tentem se superar na sequência. Porém, de longe, fica a desejar. Com um roteiro mais manjado, sem grandes twists ou novidades, é mais uma apresentação da amizade dos dois, e quem sai perdendo somos nós. Não vou dizer que não tem momentos bons – tem momentos excelentes, como quando Schimidt fala que a sala do capitão parece um grande cubo de gelo (Ice Cube faz o capitão, se é que você me entende?!) ou quando o capitão descobre que a filha está saindo com a personagem de Jonah Hill.

No geral, é um filme leve, divertido e que me agradou, sim! Porém, se colocar na balança outros momentos dos atores (juntos ou separados), há um sentimento de desapontamento em ‘Anjos da Lei 2′. Aconselho assistir, sim, mas já vai avisado – não venham reclamar depois!

pompeii_xlgAo ver o trailer de ‘Pompeia’, ainda ano passado (2013), achei que o filme poderia ser algo legal, uma mistura de ‘Gladiador’ com ‘Impacto Profundo’ ou ‘Armageddon’. Não poderia estar mais enganado. Costumo achar um absurdo darem um orçamento gigantesco para filmes nacionais do porte de ‘Até Que A Sorte Nos Separe’ (1 e 2!), mas entendo sua existência, como já dissertei sobre neste artigo aqui. Porém, quando um americano decide gastar milhões em atores de renome, como Kiefer Sutherland (’24 Horas’), Carrie-Anne Moss (‘Matrix’) e Jared Harris (‘Sherlock Holmes – O Jogo das Sombras’), novatos em alta – Kit Harington (o Jon Snow de ‘Game of Thrones’) e Emily Browning (‘Sucker Punch’) – e quinhentos mil efeitos especiais e coliseus falsos, vejo que o cinema ainda tem espaço para erros do porte do Império Romano.

Para quem não conhece, Pompeia era um marco de comércio para Roma, por estar em um localização privilegiada na costa, próxima a capital e no meio do caminho entre o norte e o sul da imensidão imperial. Em 2006, tive a oportunidade de estar no que restou da cidade após sua devastação pelo vulcão (ficou mais conhecida por isso do que por sua importância para o império), e pude ver quão evoluída a cidade era, sendo um dos maiores marcos da época, obliterada do tempo e espaço pela força da natureza.

Pois bem, falemos do filme. ‘Pompeia’ conta a história de um menino bretão, tratado como selvagem, que perde sua família quando criança e é escravizado e transformado em gladiador para o bel prazer da política de pão e circo romana. Em uma interpretação fraca do Sr. Harington (excelente em ‘Game of Thrones’) – que consiste mais em ficar sem camisa do que qualquer outra coisa -, vemos Milo se rebelando contra as correntes que o aprisionam dentro e fora da arena em busca do amor da supostamente não domável Cassia (Emily Browning). Há ainda tentativas de colocar empecilhos políticos e criar um clima de vingança entre o herói de os falastrões de Roma. Tudo parece jogado, e com isso, tudo dá errado.

Ao contrário de épicos como ‘Ben-Hur’ ou o já citado ‘Gladiador’, ‘Pompeia’ trás uma inconsistência tanto em roteiro, quanto direção (que parece não saber o que fazer com os atores – que por sua vez aplicam crises de over-acting em quase todos os frames da película). Sem conteúdo nem profundidade, é um filme para se passar em fast-forward, sem perder muito conteúdo. O que poderia ser uma história incrível dos tão divertidos filmes de desastre acaba por ser uma história de amor fraca, superficial e mal acabada. Minha dica é, não perca seu tempo. Ainda me arrependo de ter perdido o meu.

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Posso parecer repetitivo por falar mais uma vez em retorno (ou seja, é o retorno do retorno…), mas semana passada foi lançado os dois últimos capítulos da série de clipes do álbum do ano passado da banda Fall Out Boy.

Como aconteceu em primeira mão com Daft Punk e seu anime maravilhoso de seu segundo álbum (Discovery, de 2001), de vez em quando vemos artistas fazendo clipes que têm sequência, que, assim como o álbum, contam uma história maior que a própria música. Os franceses fizeram algo totalmente inovador, além de ter um álbum imensamente apreciado por quem vos escreve, com o ‘Interstella 5555’, que conta a história de uma banda (porque não?) alienígena que toca suas músicas – tudo isso em um épico com viagens interestelares (vejam só!), sequestro e resgate, regados ao estilo de desenho com maior percentual de personagens de ação, o japonês.

Depois disso, poucos clipes foram tão ousados em criar uma película a partir de si mesmos, até que Kanye West ressurge após seu fracasso bêbado no MTV Awards, em que ignora a premiada Taylor Swift e tece elogios embriagados e ininterruptos a Beyoncé. Kanye é um grande admirador de Daft Punk, tanto que os trouxe e os sampleou com ‘Stronger’ no álbum anterior, ‘Graduation’, de 2007. Mas, mesmo sendo fã dos robôs, o marido de Kim Kardashian foi comedido (digo isso pelos padrões megalomaníacos dele – o último álbum chama ‘Yeezus’, qualquer semelhança a Jesus não mera coincidência). Diferentemente do Daft Punk e do Fall Out Boy, Kanye lançou clipes para suas músicas de lançamento separadamente do filme que fez tendo o álbum como roteiro (o excelente ‘My Beautiful Dark Twisted Fantasy’, de 2010), nele, aborda visuais maravilhosos em meio a um roteiro estranho, com uma produção fantástica, essa, sem miséria.falloutboy

Pois bem que voltamos a 2014, e como o próprio nome da série diz, tragamos sangue novo e fez-se ‘The Young Blood Chronicles’. Fall Out Boy é uma banda que começou com punk rock, virou punk pop e agora é, como a grande maioria das bandas de rock, uma mistura de influências voltadas ao rock (e devo confessar, que gosto bastante da banda – o CD dela não saía do meu carro em 2007, com o excelente ‘Infinity on High’!). Também é uma mistura de influências seu álbum mais recente, ‘Save Rock & Roll’, não somente em áudio, mas também em vídeo. É visível a miscelânia que foi usada como fonte de trabalho para a série de onze clipes que ilustram o CD: em roteiro, temos desde a Bíblia a ‘De Olhos Bem Fechados’ e ‘A Onda’, ‘Pulp Fiction’ e ‘Sin City’; visualmente, toques de Robert Rodriguez a Nicolas Winding Refn e claro, Tarantino; e nas faixas, participações de lendas como Courtney Love, Tommy Lee e sir Elton John, além do sangue novo de Big Sean e Foxes.

Com a voz potente de Patrick Stump (é para mim uma das melhores vozes da minha geração) e as letras sempre provocadoras de Pete Wentz (que falam de dilemas que me identifico sempre, talvez por ter idade próxima a deles), tentam ambiciosamente fazer um projeto enorme em meio a turnê e compromissos (tive a oportunidade de ir ao show deles semana passada – obrigado, Bá!). É muito legal ver as diferentes influências que FOB trouxe desse tempo em que seus integrantes foram buscar rumos solo (para quem gosta de Michael Jackson, o CD solo de Patrick Stump é muito bom, totalmente voltado ao pop), que ‘Save Rock & Roll’ trás consigo, além de marcar o retorno da banda de modo triunfal, com participações de peso e uma série ousada de clipes.

Na minha humilde opinião, se deixarmos na mão deles, o rock & roll pode mesmo ser salvo.

 

Do Kanye West:

Do Daft Punk:

Draft-Day-posterSe você é uma criança do milênio, muito provavelmente não tenha como referência de filmes divertidos Kevin Costner. Mas como eu estou beirando meus 27 anos, minha infância tinha ele como símbolo de filmes legais da ‘Sessão da Tarde’ (de ‘Robin Hood’ ao controverso ‘Waterworld’, passando pelos filmes de beisebol), então, quando vi seu retorno às telonas, uma centelha de alegria se acendeu em meu coração. Desde 2010 Costner, hoje com 59 anos, estava em um hiato grande como protagonista e como coadjuvante de grandes filmes, e sua participação em ‘Homem de Aço’ foi singela, honesta e bela, mas agora o vemos entrando em um filão novo na indústria de Hollywood, a de senhores que dão porrada. Como já escrevi sobre Liam Neeson no surpreendente ‘Sem Escalas’, Los Angeles tem dado mais atenção aos heróis, bem, aos heróis de infância dos diretores (a série ‘Mercenários’ comprova isso melhor que qualquer outra). Mas Costner é diferente, não posso compará-lo a Liam Neeson, que até sua apresentação em ‘Busca Implacável’ não era um ator de grande apelo às massas (embora sempre tenha sido impecável em suas performances!); nem posso compará-lo ao elenco de ‘Mercenários’, porque, veja bem, ele sabe atuar (podem me xingar nos comentários, se quiserem…).

E sim, crianças, ele está de volta, e em grande estilo. Embora tenha feito a excelente série de TV ‘Hatfields & McCoys’ (que tem uma trama semelhante a ‘Abril Despedaçado’), sua distância das telonas me fazia falta. E agora volta não somente em um, mas em dois filmes de expressão: ‘3 Dias para Matar’ e ‘A Grande Escolha’. Em ‘3 Dias’ ele é um agente de CIA em estado terminal, que tem que resgatar sua relação com a filha, mulher, e ainda tentar se salvar com uma droga experimental – um parêntesis grande aqui: como em ‘Busca Implacável’, o roteiro é assinado por Luc Besson, o francês maluco que mais escreve roteiros no mundo (se duvidam de mim, vejam aqui – muito provavelmente não sabia que ele tinha feito tudo isso…), responsável pela apresentação de Neeson ao gênero ação, e que agora faz um resgate de Costner a um lugar que ele tão bem se apresenta (vejam o bang-bang ‘Wyatt Earp’). A trama de ‘3 Dias’ é uma certa mistura de ‘Adrenalina’ com ‘Busca Implacável’ com ‘Bourne’, e a minha opinião é que os jovens não estão mais com nada, quem manda nas explosões agora são os coroas…192102_pt

Já em ‘A Grande Escolha’, Costner volta a um tema muito corriqueiro em sua carreira, esportes (e dessa vez sem milharal nem mensagens divinas!). Desde quinta-feira nos cinemas, o filme apresenta Costner como o General Manager dos Cleveland Browns em dia de Draft (daí o título original ‘Draft Day’ – muito melhor que essa bizarrice de grande escolha…). Para quem não sabe, ao contrário do Brasil, nos EUA, é quando se termina a faculdade, normalmente, que se ingressa em algum time profissional, e é no Draft que os times fazem suas escolhas e, seguindo uma ordem estabelecida pela associação, no caso, NFL. Porém, as estratégias dos times são diversas e esta ordem pode mudar, porque existe a possibilidade de negociação entre um time e outro perante um certo jogador que promete mais ou menos. Parece complicado, e é mesmo, por isso o filme é tão interessante. Por mais que acompanhemos Sonny Weaver Jr. fazendo suas escolhas e trocas ao longo dos últimos minutos antes do limite de trocas, o filme é ininterrupto e, ao adicionar dramas familiar e amoroso, a equação é uma película que te prende a atenção e nos devolve as sutilezas da performance de Costner, em parceria afiada com Jennifer Garner e Denis Leary.

Para quem o aproveitou em ‘Sessão da Tarde’ ou não, o cinema agradece por sua volta, Kevin Costner.

about_time_xlgJá escrevi nesta mesma coluna sobre como gosto de comédias românticas e pincelei um pouco sobre minha admiração por Richard Curtis, escritor e diretor dos, se você me permitem, melhores longas do gênero (seja como diretor, seja como escritor – onde se sai melhor, por sinal). Hoje escrevo sobre o ‘Questão de Tempo’, que acaba de chegar em DVD e Blu-Ray, e que, como disse no ‘Caçadores de Obras-Primas’, você deve poder alugar em seu provedor de TV a cabo.

No longa, acompanhamos um menino ruivo, tímido, e suas dificuldades para com o sempre complexo amor. Domhnall Gleeson vive Tim, o ruivo em questão.

***Um parêntesis aqui: para quem não sabe, Domhnall Gleeson fez Harry Potter – era um dos irmãos do Ron – e na vida real é filho do ator Brendan Gleeson – que fez o Olho-Tonto Moody também na série de filmes do HP. Destaco a atuação dele. Desde que Hugh Grant e Curtis deram um hiato em sua parceria, nunca tinha presenciado alguém que se encaixasse tão bem nas personagens desajeitadas e desajustadas de Curtis como Domhnall.***

Prestes a completar seus 21 anos, seu pai o revela que Tim, assim como ele mesmo e todos os homens da linhagem da família, tem um poder especial: todos conseguem voltar no tempo (e aos 21 anos, ao chegar a maioridade, o poder é revelado). Tim só pode se transportar dentro de seu espectro de vida; basta entrar em um ambiente escuro, fechar os punhos, se concentrar e puf!, inúmeras possibilidades de se refazer um momento se apresentam. Quem nunca teve um arrependimento, pensou ‘se eu pudesse voltar no tempo…’?

Ao revelar o poder que corre no sangue de Tim, seu pai também impõe uma questão quase que filosófica ao filho: ‘Vai voltar no tempo para refazer o quê? Qual é o supra-sumo da busca para Tim?’ E, como podem ver no trailer, para Tim, o poder vai servir para encontrar o amor. E cada tentativa de encontrá-lo, pelo menos para Tim, vai ser refeita até ser perfeita.

Nós meros mortais não temos este poder nas mãos – e como minhas incursões com o sexo oposto seriam melhores se o tivesse! – mas o filme não se trata apenas do valor do voltar ao tempo para algo fugaz como uma conquista. Os valores demonstrados em ‘Questão de Tempo’ falam muito mais alto do que apenas o amor romântico, mas sim do amor como plenitude, em tudo que fazemos, em tudo que olhamos, no que respiramos, no que vivemos. Como de praxe nos filmes de Richard Curtis, o romance é na verdade somente a primeira camada do filme, que se mostra um drama extremamente complexo e sempre com uma mensagem magnífica e encantadora.

Meu primeiro contato com o homem da vez foi em ‘Quatro Casamentos e Um Funeral’. Para quem não assistiu, o faça assim que puder! Além de contar a história dos desencontros amorosos (outro tema recorrente para Curtis), a história do entrelace do amor em toda sua complexidade e magnitude enche os 117 min. do filme – do descobrimento a perda, ao longo dos cinco eventos sociais citados no título. Gostei logo de cara, chorei na cena do funeral com o discurso proferido pelo parceiro do antes sempre alegre morto; dei risada com a atuação sempre delicada de Hugh Grant; e sofri a sempre fraca performance de Andie MacDowell – porque ela é isso mesmo…

Tenho uma certa admiração por Richard Curtis porque com ele aprendi a sentir. Tem gente que aprende com Jane Austen, Hemingway, Woody Allen e até Stephenie Meyer (!!!); eu aprendi com Richard Curtis. Aprendi porque em todos suas personagens traços de amor, comédia, tragédia e esperança florescem – são reais. Seja em ‘Quatro Casamentos…’, em ‘Notting Hill’, ‘Simplesmente Amor’ ou mesmo em ‘Bridget Jones’ ou em ‘Mr. Bean’ (sim, ele escreveu muita coisa para Rowan Atkinson!). Assim como os de John Hughes, esses filmes fizeram parte da minha infância e adolescência e, ao contrário da geração anterior a minha, não pude sugar de ‘Rambo’ e ‘Robocop’ a base da construção da minha sensibilidade. E assim como eles e como Tim, para mim, a salvação sempre vem através dele, o amor (sendo piegas ou não).

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Quando penso em filme de guerra, logo me vem a mente clássicos como ‘Nascido para Matar’, ‘Apocalypse Now’ ou mesmo ‘Além da Linha Vermelha’. E o que todos esses títulos têm em comum, além de retratar o terror, estresse e extremos de um homem lutando (ou treinando para lutar) pelos ideais de homens sentados atrás de uma mesa, eles falam da camaradagem, ou mesmo a falta dela, e dos laços que um ambiente como tal provoca em um homem. Já relatei sobre a guerra aqui mesmo no ‘Sobre o…’ com o ‘O Grande Herói’ e também no texto da série ‘Fleming’. É um tema que me agrada e sempre o fez, desde a época do colégio. Mas, mesmo gostando do tema e tendo estudado um pouco além do que me era passado nos corredores do Colégio Notre Dame de Campinas, não sabia da história de sete homens que foram a guerra, já em vias de terminar, em busca das obras de arte furtadas pela Alemanha em mais uma das megalomanias do Fuhrer.

Os ‘Monuments Men’, sancionados pelo presidente Roosevelt, saíram de suas posições como teóricos em arte, arquitetura e dança em seus respectivos “esconderijos” para lutar pelo clamado legado da humanidade em meio a desgraça e destruição que uma guerra provoca. Ao assistir o trailer, achei que se tratava de mais um ‘Onze Homens’ da vida, desta vez com direção do próprio Clooney, passado na segunda guerra. Mas o filme, que chega em breve às locadoras/sistemas de locação pela TV a cabo/etc, trás muito mais que isso. George Clooney tem se mostrado cada vez mais seguro atrás da câmera e, no caso de ‘Caçadores de Obras-Primas’ parece muito mais confortável na posição e brinca de atuar com amigos – afinal de contas, o elenco todo é extremamente gabaritado: Matt Damon, Bill Murray, John Goodman, Cate Blanchett, Bob Balaban, Hugh Bonneville e Jean Dujardin.

Devo confessar que prefiro Clooney como diretor que como ator. Nunca dei o devido crédito a ele na frente da lente, e acho que ‘E.R’ estragou qualquer chance de redenção dele no meu conceito (fiquem à vontade de discordar! rsrs). Tinha um certo preconceito com relação a ele em qualquer posição, para ser sincero – sempre me pareceu somente um rostinho bonito do que um verdadeiro ator/diretor – mas tudo mudou com o excelente ‘Tudo pelo Poder’, um drama centrado em uma disputa política, até aceito ele como ator neste, embora quem carregue o filme é o, na minha humilde opinião, o sempre impecável Ryan Gosling. Enfim… neste filme está seguro e conduz a película com segurança e conforto.

Para quem não sabe, cerca de 7 milhões de obras de arte foram ‘confiscadas’ pelos nazistas durante a segunda guerra. Eram chamadas de retiradas ‘justas’ por serem de coleções privadas de judeus. Desses 7 milhões, por volta de 5 milhões foram recuperadas, dentre esculturas, pinturas, gravuras, esboços, etc. Tudo isso, graças aos ‘Monuments Men’.

Mais do que retratar a camaradagem em busca do objetivo de cuidar de tesouros nacionais, o filme é um relato do valor das obras para a humanidade. Podemos perder uma geração inteira nas trincheiras, mas a humanidade ressurgirá de alguma maneira. Se é retirada toda sua produção intelectual, é como se esta geração não tivesse existido.

Com toda certeza, se esses sete homens não estivessem lá para proteger este legado, não teríamos hoje nada do que, supostamente, não conseguimos viver sem. Seus celulares, computadores, carros, canetas, enfim, tudo que toca seria diferente se tivéssemos essa lacuna em nossa história. Devemos a esses homens o que temos e o que somos hoje.

The-Monuments-MenOs ‘Monuments Men’ originais

Em fevereiro, lendo meu feed de notícias do Facebook, reparei em um vídeo postado sobre uma história de amor. Acabei encontrando o que achei ser daquelas coisas que marcas grandes fazem para a internet, um inserção de mercado através do virtual, com a esperança que viralize (exemplos tem de monte, o mais recente é o da OLX, que começou com o YouTube antes de ir para a TV…). Mas, assim como aconteceu na Evian, pude perceber que a Cornetto fazia um trabalho brilhante com a série de vídeos chamada Cupidity:

Acredito que, como eu, todos brasileiros são românticos inveterados, mesmo que não queiram dar o braço a torcer. E esta série me tocou, então resolvi escrever um pouco sobre ela. Para quem não sabe, Cornetto é uma das marcas de sorvete da Kibon aqui no Brasil. Ela surgiu na verdade, quando a Kibon foi adquirida pela gigante Unilever, que faz de sabonete até comida, presente no mundo todo. Portanto, Cornetto é uma marca mundial e, como tal, a Unilever decidiu fazer uma série de vídeos com o sorvete de pano de fundo, mas para falar das diferentes maneiras de encontrar o amor, em diferentes partes do mundo.

Como o próprio nome diz, a história é narrada pelo cupido. Para quem não sabe, cupido não é apenas um anjo. Sua origem vem antes mesmo da Bíblia. Filho dos deuses da guerra, Marte, e da deusa do amor e da beleza, Vênus, os romanos e gregos acreditavam que as flechas que carregava o cupido faziam quem as tomasse se apaixonar (como acho que todos já devem saber…). No caso dos vídeos da Cornetto não poderia ser diferente. Produzido por diferentes países, a presença deste ser místico causa o encantamento peculiar entre jovens de diferentes origens, jeitos, estilos, nacionalidades… Sempre com toques de doçura tanto nos roteiros quanto nas interpretações.

Algo leve e gostoso, assim como comer um Cornetto.

Seguem aqui mais alguns. Destaco o ‘Beauty & the Geek’