The-Giver-Brenton-Thwaites-character-poster-691x1024Respire fundo. Esqueça tudo que sente. Se imagine em um mundo perfeito em que não existem diferenças, em que todos são iguais, em que sua família é escolhida para você, doenças foram dizimadas, assim como fome e desastres naturais. O mundo perfeito é onde encontramos Jonas, um jovem às vésperas de se encaixar em um setor profissional, baseado em suas aptidões físicas e mentais, assim como Tris, em Divergente. E, assim como Tris, Jonas não se encaixa em nenhuma profissão desta nova realidade pós-apocalíptica, ele na verdade transita entre todas as aptidões e, portanto, tem o perfil para receber o legado de lembranças da humanidade, que jazem dentro da mente do homônimo do título, o Doador de memórias (Jeff Bridges).

Já comentado aqui, os novos romances juvenis têm trazido consigo essa dimensão supostamente perfeita que deve ser quebrada – muito melhor do que a febre anterior de vampiros que brilham no escuro! Jonas, ao receber a autorização para mentir (até então algo proibido) e quando começa a ser concebido com as lembranças dadas pelo doador, começa a sentir. É interessante a interpretação do filme, de que um remédio dado em doses diárias nos tiraria também a possibilidade de sentir, de ver cor, de amar – faço um paralelo ao que acontece com nossas vidas em nosso cotidiano conturbado, em que nos deparamos com a conformidade da vida contemporânea de ir ao trabalho, voltar, comer, dormir, ver tv (sem perceber que estamos vivendo, e não sobrevivendo) – para se ter noção, 2013 foi o ano em que cerca de 42% da população não consumiu cultura fora de suas casas. Assim como Tris e Katniss, Jonas parte em sua jornada de rebeldia aos parâmetros da atual civilização (liderados pela sempre maravilhosa Meryl Streep). E assim como seu homônimo da Bíblia, parte em uma jornada (comissionada por seu mestre Doador – em um paralelo ao Deus bíblico) rumo a salvação de um povo que é violento, não em questões físicas, mas em limitar a liberdade de se viver sem emoção.

Um filme doce, que impõe sérias questões ao nosso sobreviver contemporâneo, esperando, assim como acontece depois de 15 minutos de película, dar mais cor ao nosso cotidiano. E quem não gostaria de ter Jeff Bridges como Deus, não é mesmo?

sq_million_dollar_armAviso aos amantes de ‘Jerry Maguire’, assistam a esse filme. Pode não ter a participação ácida e emocionante de Cuba Gooding Jr, nem os espasmos bizarros da cientologia ambulante que é Tom Cruise, mas tem muito do ambiente e do coração do filme que eternizou o amado ‘SHOW ME THE MONEY’. Embora não tenha astros jovens de peso, como Cruise ou Gooding Jr., ‘Million Dollar Arm’ trás consigo uma plotline meio parecida em seu começo: um agente que não está mais na empresa em que trabalhava, que é passado para trás por um atleta de contrato milionário, e que tem que se virar. Além disso, ambas personagens que fazem os agentes esportivos são esnobes e têm que passar por obstáculos para verdadeiramente perceberem o que o esporte trás embutido em si, valores mais importantes que dinheiro ou fama (embora eu e Razuchi discordemos desta parte – ‘dinheiro e gatinhas’ é nosso lema!).

Jon Hamm faz o papel do pedante JB, agente que um dia teve uma cartela enorme de clientes e que, há três anos, junto com seu grande amigo Aash, montou sua própria empresa. O encontramos tentando fechar negócio com um linebacker da NFL, mas o contrato não desenrola e eles se veem rumo a falência e vão tomar um porre pra esquecer. Como Aash é indiano, em meio a sua bebedeira, sintoniza a TV no jogo de críquete, que JB (como seria de praxe da personagem) já começa a implicar com. Aash vai embora rumo a esposa e filhos em um taxi, e JB fica a contar botões, até que Susan Boyle (SIM! SUSAN BOYLE!) aparece pela primeira vez no ‘Britain’s Got Talent’, estamos em 2008, por sinal.

Como acontece em muitos casos, o insight vem de coisas desconexas que, por alguma razão, começam a fazer parte da mesma simbiose, e JB tem uma ideia de gênio: desenvolve um concurso em que dois jovens indianos têm a chance de fazer um tryout (aqui é chamado de ‘peneirão’) para uma vaga na Major League Baseball e, se ganhar, ganham 1 milhão de dólares, daí o título não somente do filme, como também do concurso. Uma jogada de gênio, em que a MLB poderia entrar em um mercado de um bilhão de possíveis espectadores, e tiraria JB e Aash da falência.

Isto tudo parece mentira, coisa viajante de roteirista, mas devo dizer que o filme é baseado em fatos reais. Este concurso existiu de verdade e dois meninos indianos vieram para este lado do globo tentar a sorte como possíveis jogadores de baseball. Joguem ainda nessa tigela participações de Alan Arkin (sempre excelente) como o único e sempre dormindo olheiro disposto a ir a Índia, uma jornada por um país de extremos (uma hora está tudo cheirando maravilhosamente bem, outra hora está tudo fedendo) até bem parecido com o Brasil (vide a maneira de burlar o sistema…), e a, por falta de outra palavra, maravilhosa Lake Bell como a vizinha médica, além da trupe de indianos, em especial Amit, que sonha em ser técnico de baseball na Índia. Todos funcionam como agentes catalisadores das mudanças de JB para uma pessoa melhor, mesmo que esse melhor não seja com dinheiro e gatinhas…

pompeii_xlgAo ver o trailer de ‘Pompeia’, ainda ano passado (2013), achei que o filme poderia ser algo legal, uma mistura de ‘Gladiador’ com ‘Impacto Profundo’ ou ‘Armageddon’. Não poderia estar mais enganado. Costumo achar um absurdo darem um orçamento gigantesco para filmes nacionais do porte de ‘Até Que A Sorte Nos Separe’ (1 e 2!), mas entendo sua existência, como já dissertei sobre neste artigo aqui. Porém, quando um americano decide gastar milhões em atores de renome, como Kiefer Sutherland (’24 Horas’), Carrie-Anne Moss (‘Matrix’) e Jared Harris (‘Sherlock Holmes – O Jogo das Sombras’), novatos em alta – Kit Harington (o Jon Snow de ‘Game of Thrones’) e Emily Browning (‘Sucker Punch’) – e quinhentos mil efeitos especiais e coliseus falsos, vejo que o cinema ainda tem espaço para erros do porte do Império Romano.

Para quem não conhece, Pompeia era um marco de comércio para Roma, por estar em um localização privilegiada na costa, próxima a capital e no meio do caminho entre o norte e o sul da imensidão imperial. Em 2006, tive a oportunidade de estar no que restou da cidade após sua devastação pelo vulcão (ficou mais conhecida por isso do que por sua importância para o império), e pude ver quão evoluída a cidade era, sendo um dos maiores marcos da época, obliterada do tempo e espaço pela força da natureza.

Pois bem, falemos do filme. ‘Pompeia’ conta a história de um menino bretão, tratado como selvagem, que perde sua família quando criança e é escravizado e transformado em gladiador para o bel prazer da política de pão e circo romana. Em uma interpretação fraca do Sr. Harington (excelente em ‘Game of Thrones’) – que consiste mais em ficar sem camisa do que qualquer outra coisa -, vemos Milo se rebelando contra as correntes que o aprisionam dentro e fora da arena em busca do amor da supostamente não domável Cassia (Emily Browning). Há ainda tentativas de colocar empecilhos políticos e criar um clima de vingança entre o herói de os falastrões de Roma. Tudo parece jogado, e com isso, tudo dá errado.

Ao contrário de épicos como ‘Ben-Hur’ ou o já citado ‘Gladiador’, ‘Pompeia’ trás uma inconsistência tanto em roteiro, quanto direção (que parece não saber o que fazer com os atores – que por sua vez aplicam crises de over-acting em quase todos os frames da película). Sem conteúdo nem profundidade, é um filme para se passar em fast-forward, sem perder muito conteúdo. O que poderia ser uma história incrível dos tão divertidos filmes de desastre acaba por ser uma história de amor fraca, superficial e mal acabada. Minha dica é, não perca seu tempo. Ainda me arrependo de ter perdido o meu.

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Quando penso em filme de guerra, logo me vem a mente clássicos como ‘Nascido para Matar’, ‘Apocalypse Now’ ou mesmo ‘Além da Linha Vermelha’. E o que todos esses títulos têm em comum, além de retratar o terror, estresse e extremos de um homem lutando (ou treinando para lutar) pelos ideais de homens sentados atrás de uma mesa, eles falam da camaradagem, ou mesmo a falta dela, e dos laços que um ambiente como tal provoca em um homem. Já relatei sobre a guerra aqui mesmo no ‘Sobre o…’ com o ‘O Grande Herói’ e também no texto da série ‘Fleming’. É um tema que me agrada e sempre o fez, desde a época do colégio. Mas, mesmo gostando do tema e tendo estudado um pouco além do que me era passado nos corredores do Colégio Notre Dame de Campinas, não sabia da história de sete homens que foram a guerra, já em vias de terminar, em busca das obras de arte furtadas pela Alemanha em mais uma das megalomanias do Fuhrer.

Os ‘Monuments Men’, sancionados pelo presidente Roosevelt, saíram de suas posições como teóricos em arte, arquitetura e dança em seus respectivos “esconderijos” para lutar pelo clamado legado da humanidade em meio a desgraça e destruição que uma guerra provoca. Ao assistir o trailer, achei que se tratava de mais um ‘Onze Homens’ da vida, desta vez com direção do próprio Clooney, passado na segunda guerra. Mas o filme, que chega em breve às locadoras/sistemas de locação pela TV a cabo/etc, trás muito mais que isso. George Clooney tem se mostrado cada vez mais seguro atrás da câmera e, no caso de ‘Caçadores de Obras-Primas’ parece muito mais confortável na posição e brinca de atuar com amigos – afinal de contas, o elenco todo é extremamente gabaritado: Matt Damon, Bill Murray, John Goodman, Cate Blanchett, Bob Balaban, Hugh Bonneville e Jean Dujardin.

Devo confessar que prefiro Clooney como diretor que como ator. Nunca dei o devido crédito a ele na frente da lente, e acho que ‘E.R’ estragou qualquer chance de redenção dele no meu conceito (fiquem à vontade de discordar! rsrs). Tinha um certo preconceito com relação a ele em qualquer posição, para ser sincero – sempre me pareceu somente um rostinho bonito do que um verdadeiro ator/diretor – mas tudo mudou com o excelente ‘Tudo pelo Poder’, um drama centrado em uma disputa política, até aceito ele como ator neste, embora quem carregue o filme é o, na minha humilde opinião, o sempre impecável Ryan Gosling. Enfim… neste filme está seguro e conduz a película com segurança e conforto.

Para quem não sabe, cerca de 7 milhões de obras de arte foram ‘confiscadas’ pelos nazistas durante a segunda guerra. Eram chamadas de retiradas ‘justas’ por serem de coleções privadas de judeus. Desses 7 milhões, por volta de 5 milhões foram recuperadas, dentre esculturas, pinturas, gravuras, esboços, etc. Tudo isso, graças aos ‘Monuments Men’.

Mais do que retratar a camaradagem em busca do objetivo de cuidar de tesouros nacionais, o filme é um relato do valor das obras para a humanidade. Podemos perder uma geração inteira nas trincheiras, mas a humanidade ressurgirá de alguma maneira. Se é retirada toda sua produção intelectual, é como se esta geração não tivesse existido.

Com toda certeza, se esses sete homens não estivessem lá para proteger este legado, não teríamos hoje nada do que, supostamente, não conseguimos viver sem. Seus celulares, computadores, carros, canetas, enfim, tudo que toca seria diferente se tivéssemos essa lacuna em nossa história. Devemos a esses homens o que temos e o que somos hoje.

The-Monuments-MenOs ‘Monuments Men’ originais

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A mãe apronta a filha para a escola, estão atrasadas. Uma buzina invade pela janela, na qual a mãe se debruça e pede para que espere um momento, enquanto a filha põe o sapato e corre a porta. É então que a mãe começa o preparo da comida do almoço do marido. Faz arroz, curry, prepara a vagem e põe o naan na chapa para dourar dos dois lados. Ouve uma bicicleta parar a entrada do prédio e, em dois minutos a campainha toca. -“Um momento, por favor!”. A mãe agora termina de colocar toda a refeição em sua devida repartição, empilha tudo, lacra, fecha com a proteção de tecido e, enquanto o homem pega o conjunto de marmitas de sua mão, dá uns tapas delicados com a intenção de arrumar, com todo o carinho, para o marido merece receber seu almoço em seu primor.

Assim começa ‘The Lunchbox’, lançado ano passado (2013) e ainda sem previsão de vinda para o Brasil. Aos que desconhecem o sistema de alimentação na Índia, é preciso saber duas coisas: a comida caseira é sempre a preferência (com exceção dos que comem apenas uma ou duas bananas no lugar da refeição), e o sistema de distribuição da comida é de dar inveja a qualquer empresa de motoboy de São Paulo. Para entenderem, melhor deixar para meu líder espiritual (Anthony Bourdain) explicar:

 Assistam a partir dos 5:50!

 

São, diariamente, 200 mil refeições entregues por cerca de 5 mil boys em Mumbai, cenário do filme. Nele, duas dessas refeições são trocadas em meio às outras 199.998 restantes, e o que a princípio seria péssimo, acaba se tornando obra do destino. Ila, a mãe da cena descrita acima, é uma mulher em tédio, em busca da felicidade no casamento. Na Índia, ainda se acredita que um homem se fisga pelo estômago, porém, o marido de Ila parece sempre mais interessado no trabalho do que no cuidado primoroso aplicado em cada refeição pela mulher – tanto que normalmente a marmita volta com restos. Num belo dia, Ila abre o pacote e o encontra vazio. Mais tarde pergunta para o marido se gostou do prato, e ele diz que estava o.k. Sr. Fernandes (sim, o nome dele é Fernandes mesmo!), um funcionário em vésperas de se aposentar, estranha o sabor da comida de sua marmita. Chega até a acreditar que o restaurante do qual pede seu almoço mudou de cozinheiro, já que a refeição nunca havia estado tão boa.

Então no dia seguinte ela manda um bilhete na repartição do pão, e então começa a troca de cartas entre Ila e Sr. Fernandes. O que a princípio é somente desabafos de vidas tediosas em suas maneiras, acaba sendo uma espécie de fuga do torpor pelo qual ambas personagens passam e vêem a vida passar em suas respectivas infelicidades. Encontram, então, um no outro, um porto seguro para confiarem e serem confidentes, seja para fugir de um marido que a ignora, seja para lidar com a perda da mulher.

Um filme doce, em que a atuação sobressai pelo sofrimento e pela fuga de cada personagem. Uma maneira encantadora de tornar a sentir o sabor da vida, através justamente do sabor da comida.

20120998.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxxHá dez anos atrás entrava em cartaz um filme do qual sou fã: ‘Todo Mundo Quase Morto’. Eu não costumo gostar de filmes de zumbis, porém a combinação de Edgar Wright, Simon Pegg e Nick Frost explodiram minha cabeça nesse clássico cult. Para quem nunca viu, o filme é uma sátira muito bem escrita e elaborada dos filmes de terror ‘Madrugada dos Mortos’. Nele, Shaun (Simon Pegg) é um cara sem ambição, que não se esforça em nada, exceto seu realacionamento com o melhor amigo, Ed (Nick Frost). Até que Shaun decide reconquistar a namorada perdida, Liz. Só que, além de conquistar o coração da ex, Shaun vai ter que sobreviver ao apocalipse zumbi que floresce a sua volta, em uma mistura de jornada do herói para proteger a amada, e salvar seu grupo de sobrevivência que incluem sua mãe, seu melhor amigo, sua ex e dois amigos dela!

‘Todo Mundo Quase Morto’ trouxe a conhecimento geral as presenças dos excelentes Simon Pegg, mais conhecido como o novo Scotty do remake de Star Trek ou o high-tech Benji dos filmes mais recentes da série ‘Missão Impossível’; Nick Frost, um dos atores de comédia da atualidade que mais me fazem rir (assistam ‘Kinky Boots – Fábrica de Sonhos’!); e Edgar Wright, um dos diretores que vêm revolucionando o cinema contemporâneo em sua maneira única de contar histórias (responsável pelo também excelente ‘Scott Pilgrim Contra o Mundo’). O trio ainda fez ‘Chumbo Grosso’ e ‘Heróis de Ressaca’; Simon e Nick têm uma parceria duradoura dentro e fora do cinema (em toda entrevista que um deles é perguntado sobre o outro, contam de quando eram meros garçons e dormiam numa mesma cama juntos), e sua química e camaradagem da vida real transparece na tela em todas as cenas juntos – a sensação é que eles se divertem fazendo filme tanto quanto nos divertimos os assistindo.

Mas o que me agrada mais em ‘Todo Mundo Quase Morto’ é que, mesmo depois de dez anos, continua um filme hilário, com tiradas magníficas e um timing de piadas impecável – eu chorei de rir mesmo tendo visto mais de dez vezes! Sem ele, muito provavelmente, histórias como ‘The Walking Dead’ ou ‘Guerra Mundial Z’ não teriam a notoriedade que têm hoje. Aconselho aproveitar e fazer uma maratona com a ‘Trilogia do Cornetto’ (assistam e entenderão o porquê do nome): ‘Todo Mundo Quase Morto’, ‘Chumbo Grosso’ e ‘Heróis de Ressaca’. E mesmo que esses três títulos tenham uma plotline meio parecida, não perdem nem um pouco seu encanto individual!

NAMORO-OU-LIBERDADE

Acredito que se Alexandre Dumas reescrevesse ‘Os Três Mosqueteiros’ nos dias atuais, em pleno século XXI, de Facebook, Twitter e Smartphones, talvez eles não servissem o Rei. É bem capaz que o único elemento que manteria intacto da história original seria a camaradagem eternizada pelo ‘um por todos e todos por um’. O que me leva a ‘Namoro ou Liberdade?’. Claro que posso estar um pouco louco em comparar monsieur Dumas aos roteiristas de Hollywood, mas o clima entre as três personagens principais lembra muito Athos, Porthos e Aramis, sem a religião, com as mulheres, e muita bebida.

Zac Efron, ator principal é um desses mulherengos enveterados que diz que nunca namorará e foge de qualquer compromisso – tem até uma teoria sobre o ‘E então…’ que todas mulheres dizem em algum ponto no meio do que ele caracteriza como enrosco. Esta é a realidade de Jason, que, com seu melhor amigo Daniel, sai todas as noites, e dorme com diversas mulheres em sistema de rodízio, até o Aramis da turma, Mickey se ver em meio ao divórcio surpresa. Para tentar alegrar o amigo na fossa, Jason e Daniel o levam para uma noitada que começa com Viagra guela abaixo e muitas doses. É no bar que Jason conhece Ellie, e se encanta – mesmo achando a primeira vista que é uma prostituta.

E sentado nos tornamos mais um da gangue, testemunhando os acertos e erros de cada um em se encontrar cada vez mais fundo em relacionamentos nem sempre fáceis, seja tentando reatar com a ex-mulher, seja se apaixonando pela melhor amiga, ou conhecendo o amor da vida em um balcão de bar.

Quem me conhece sabe o quanto sou fã de comédias românticas (sim, eu assumo isso aqui para todos que lêem a coluna!), a prova disso é o ‘Notting Hill’ em cargo vitalício no slot do meu DVD. Richard Curtis, responsável por ‘Notting Hill’, ‘Quatro Casamentos e Um Funeral’, ‘Simplesmente Amor’ e ‘Questão de Tempo’ (este último saiu no final do ano passado, aconselho!), tem uma comunicação direta com meu humor e meu coração. Não importa se o roteiro é excelente como em ‘Quatro Casamentos…’ ou ‘Questão de Tempo’, ou mais fraco como em ‘Simplesmente Amor’, o neo-zelandês é um cara que respeito como cineasta e acompanho seus trabalhos com uma ponta de inveja pela excelência com que faz tudo, e até então não tinha encontrado um trabalho americano a altura. Quero dizer, isso até ver ‘Namoro ou LIberdade?’. Acredito que ainda faltam polimentos na metade romântica do filme, porém na metade comédia, há tempos não ria tanto. Além de ter um elenco afiado, com os queridinhos da nova geração, Miles Teller (Daniel), Michael B. Jordan (Mickey) e Zac Efron (Jason), o roteiro é extremamente engraçado, sempre trazendo referências do mundo pop. Devo destacar, lógico, as imporvisações dos três atores, que, em minha humilde opinião, estarão muito em breve com Oscars nas mãos se continuarem nos caminhos que vêm trilhando.

Ah! Fique durante os créditos: os erros de gravação são a cereja no bolo na história desses três amigos inseparáveis.

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Um homem, elegante, entra em um bar. Jazz toca ao fundo, enquanto adentra rumo ao balcão. Chegando lá, estende uma nota e pede:

– Um martini, três partes de gin, uma de vodka, batido, não misturado.

Ao contrário do que se espera, o bartender o entrega uma cerveja.

Não por acaso o cenário é bastante familiar. O homem elegante em questão é Ian Fleming, autor dos romances de James Bond e que dá nome a série que mostra a origem do criador do espião mais famoso do mundo. Assim como John Le Carré e Robert Ludlum, entre outros escritores do gênero, Fleming também foi agente de inteligência e contra-inteligência para seu país. Assim como os criadores de George Smiley e Jason Bourne, o criador de Bond esteve na ativa, e usou muito disto com fonte para criar não somente sua personagem, como as fantasiosas aventuras pelas quais o agente 007 passa em seus romances.

A série acompanha o retorno de Fleming ao exército (para quem não sabe, ele desertou após ter sido designado para a base em Shanghai), o drama de viver à sombra do irmão mais velho Peter, bem-sucedido escritor e herói de guerra, e da lembrança do pai – do qual sua mãe insiste em voltar à tona toda vez que discute com.

Esta produção da BBC America, assim como em ‘Sherlock’, prima pela qualidade do produto final, tendo apenas quatro episódios da primeira temporada, iniciada este ano. Além de ter um cuidado majestroso no design de produção, ‘Fleming’ também trás pinceladas de fantasia à realidade do autor de Bond em seu início de carreira como espião, e uma impecável escolha de elenco, a começar por Dominic Cooper. Para quem não conhece, Cooper pode ser visto como o par romântico de Amanda Seyfried em ‘Mamma Mia’, como o tutor-vampiro de Abe Lincoln em ‘Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros’, ou mais recentemente como o antagonista a Aaron Paul em ‘Need for Speed’. Como podem ver, Dominic é um ator versátil, e está impressionantemente bem como o conquistador inveterado Ian Fleming, consolidando ainda mais seu potencial como futuro da dramaturgia inglesa. Além dele, destaco a presença de Lara Pulver como futura esposa de Fleming. Não a conhecia até sua representação de Irene Adler na segunda temporada da série ‘Sherlock’, em que consegue duelar com Benedict Cumberbatch, de maneira magnífica, pelo melhor em cena.

Para quem, como eu, gosta de heróis falhos, com quem conseguimos criar uma identificação, vai gostar da série.

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Devo confessar que me surpreendi bastante com a série de filmes ‘Jogos Vorazes’. Primeiro, pelo filme em si, roteiro, a heroína que resolve tudo e ainda carrega o amigo nos ombros; em segundo, pelo cuidado com que Jennifer Lawrence atua, depois, porque a simpatia da menina encanta qualquer um – se duvida de mim, assista a qualquer entrevista sua! Mas não é dela que quero falar. Por mais que tenha a mesma pegada dessa última trilogia de livros adaptada para o cinema (um mundo pós-guerra, uma heroína, divisões, enfim…), ‘Divergente’ me pegou de surpresa, e eu adorei!

Antes de mais nada, adorei por Shailene Woodley: para quem não lembra, esta menina nunca tinha feito um filme de expressão até conseguir o papel de filha do George Clooney em ‘Descendentes’ – e interpreta impecavelmente uma menina conturbada pelo fracasso do casamento dos pais, da em breve morte da mãe que ela amava/odiava, e pelo fato de ter sido mandada para estudar em um internato. Desde lá, Shailene tem criado um nome para si em Hollywood, gosto de ressaltar também o trabalho dela por ‘Spectacular Now’, em que contracena com Miles Teller, uma das novas sensações americanas (eles repetem o duo neste também): um menino, rei no colégio e sem qualquer perspectiva de futuro, resolve se encantar pela menina certinha do colégio que vai longe na vida, e juntos embarcam em uma jornada de auto descobrimento. Ainda tem outra estreia sua no cinema este ano, também de uma adaptação de um livro de sucesso, ‘A Culpa é das Estrelas’ retrata o amor que surge em um lugar que costumamos achar difícil surgir, em um grupo de apoio a pessoas com câncer – quando sair em Junho, escrevo sobre. Enfim, tijolo a tijolo a menina de apenas 23 anos de idade está construindo uma carreira sólida em Hollywood, e ‘Divergente’ comprova seu talento.

O filme conta a história de Beatrice/Tris, uma menina que vive em uma Chicago pós-guerra, dividida em, como posso dizer, castas. O sistema que se passa em ‘Divergente’ lembra o sistema hindu de separação, porém as pessoas são divididas por virtude e não são levados em conta apenas a origem da pessoa, como sua aptidão nata para tal fim, são elas as facções: Abnegação, a Amizade, a Audácia, a Franqueza e a Erudição. Tris pertence a Abnegação, porém não se vê encaixada lá, algo parece sempre estar errado com ela neste meio, e é em sua avaliação, quando um exame decidirá a qual facção pertence, que a trama se desenvolve, pois ela não pertence a uma só, ela é o que chamam de ‘Divergente’, aí o título. Tem de tudo: drama, ação, romance, comédia e pinceladas de suspense.

Mas, o legal do filme não é somente acompanhar a jornada de Tris para se encontrar em um meio completamente estranho, o interessante é ver como uma sociedade é vista de maneiras diferentes, e ficar apenas em uma função ou ser apenas de uma maneira não está em nossa natureza – tentar controlar isso é impossível. Os rebeldes sempre existirão no cinema, seja o Neo em Matrix, o Harry Potter, o Max em Mad Max ou mesmo a Katniss Everdeen dos ‘Jogos Vorazes’; nos identificamos com eles – por isso são tão legais!

Por Bigorna

Pombagirice numero 五, Resgata os personagens de ação mais fodasticos. Botamos para fuder com a ajuda do Indiana e do comedor Bond.

Pombagirices comentadas no episodio: 

Ethan Hunt- Missão Impossível
http://www.youtube.com/watch?v=UV8pghsi3E0

James Bond – 007
http://www.youtube.com/watch?v=gkNeQdLg6Nc&list=WL7663A80586FE69F2

Erik – Magneto – X Man
http://www.youtube.com/watch?v=frcCCHb9LHc

Indiana Jones
http://www.youtube.com/watch?v=xJph_zpX_BQ

Dominic Toretto – Velozes e Furiosos
http://www.youtube.com/watch?v=FCN-B8SZVlo

Rambo
http://www.youtube.com/watch?v=rjptQSfuTy8

Capitão Jack Sparrow – Johnny Depp – Piratas do Caribe
http://www.youtube.com/watch?v=nQS5i7EHnMY

Coringa – Heath Ledger – O Cavaleiro das Trevas
http://www.youtube.com/watch?v=GROmJWb-3wU

Tyler Durden – Clube da Luta
http://www.youtube.com/watch?v=acxGxPlxfZY

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